GDF promete ampliar tendas de atendimento para conter superlotação

Número mantém a capital do país como a unidade da Federação com maior número de óbitos causados pela doença em 2024. Governo local promete novos postos de atendimento para diminuir filas e dar mais atenção à população

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O último boletim epidemiológico, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), ontem, registrou 38 mortes por dengue, tornando o DF a unidade federativa com mais vítimas da doença. Há ainda 72 óbitos suspeitos em investigação e 81.408 casos prováveis da infecção. Ceilândia apresenta o maior número de casos prováveis (14.718), seguida de Taguatinga (4.428), Sol Nascente/Pôr do Sol (4.352), Brazlândia (4.069) e Samambaia (3.378).

Em um contexto de superlotação nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), o governo do Distrito Federal (GDF) anunciou, no início deste mês, que vai ampliar de nove para 20 o número de tendas de hidratação à população. As estruturas serão instaladas em Vicente Pires, Varjão, Gama, Taguatinga, Guará, Plano Piloto, Paranoá, Planaltina e Águas Claras. Ceilândia e Samambaia, que já contam com a estrutura, também serão beneficiadas com mais um espaço de acolhimento.

A previsão era de que as novas tendas começassem a funcionar no fim da semana passada, porém, ao Correio, a SES informou que ainda não foram definidas datas para a instalação dessas 11 estruturas. Os espaços são destinados a tratar pacientes com casos suspeitos da doença e funcionam das 7h às 19h, contado com equipes de Saúde da Família, incluindo médicos.

Entre 20 de janeiro e 18 de fevereiro, 37.162 pessoas foram atendidas nas tendas, das quais 9.930 necessitaram de hidratação venosa e 973 foram removidas para as UPAs das regiões, por apresentarem casos mais graves da doença. Segundo a SES, a dengue é classificada em 4 níveis de gravidade: A,B, C e D. Os casos A e B devem ser atendidos e concluídos na atenção primária. Os casos C e D devem ser atendidos em um nível de atenção que tenha mais recursos, visto que há necessidade de internação por tempo maior. As estruturas com maior movimento são as de Samambaia, São Sebastião e Ceilândia. “Geralmente, os horários de pico ocorrem pela manhã, logo após a abertura da tenda, e no fim da tarde, próximo ao horário de encerramento”, indicou a pasta. 

Sintomas 

Às 11h30 de ontem, cerca de 55 pessoas aguardavam por atendimento na tenda de Samambaia. Em vista da forte chuva e das rajadas de vento, muitos pacientes, mesmo agasalhados, se encolhiam por conta do frio. De touca e com uma coberta, o pequeno Gael, 5 anos, se protegia nos braços do pai, Nelson da Mota, 34, enquanto esperava por atendimento. Com febre e dores no corpo, a suspeita dos pais é que seja dengue.

“Os sintomas começaram ontem, mas, como a temperatura estava muito alta, 39ºC, dei dipirona e decidi trazer para consultar”, contou a mãe, Andrea Alves, 35. O casal ficou surpreso com a notícia de que a quantidade de tendas será ampliada, inclusive, em Samambaia, onde moram. “Não estávamos sabendo. Vai ser ótimo, porque a situação está bastante complicada”, opinou a autônoma. 

O estudante Wallas Kleimon, 16, peregrinou em busca de atendimento até chegar à tenda da região administrativa. Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade, foi informado que, devido à lotação, não havia previsão de ser chamado; no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), recebeu a orientação de procurar a tenda. Na fila para passar pela triagem, esperava há cerca de 10 minutos e, pouco tempo depois, foi atendido. “Há três dias estou com febre, tenho vomitado e sinto fraqueza”, descreveu. 

“Tenho a esperança que ele consiga fazer o teste rápido, tome soro e seja medicado”, disse Cristiane Costa, 38, mãe do rapaz. Há poucos dias, ela foi infectada pela dengue e precisou ser internada. “A doença comprometeu meu pulmão e tive inflamação nas articulações. Ainda estou me recuperando”, acrescentou a auxiliar de serviços gerais, que precisou recorrer a um hospital particular.

Testes rápido 

Os sintomas que a estudante Bruna Alves, 24, tem sentido — febre, dor nos olhos e náuseas — não a deixam com dúvidas: “é dengue”. Mas para ter certeza, a jovem foi à tenda em busca do teste rápido. “Na minha casa, todo mundo já teve a doença. Nunca tive dores tão incômodas como as que estou sentindo agora”, lamentou. Na UPA, ela não conseguiu atendimento. 

Após passar pela triagem, Bruna foi orientada a repousar e intensificar a hidratação. Com um atestado na mão, ela explicou à reportagem que não pôde realizar o exame, pois estava apenas com dois dias de sintomas. “Disseram que é preciso esperar pelo menos três dias para fazer o teste e que o meu caso não está tão grave”, comentou. 

O resultado do exame de dengue sai em até 24 horas e, para recebê-lo, o paciente deve procurar a sua unidade básica de saúde de referência, onde fará o acompanhamento do caso, verificando, por exemplo, a quantidade de plaquetas no sangue. 

Por Letícia Mouhamad do Correio Braziliense

Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press / Reprodução Correio Braziliense