Brizolistas avançam na recriação do PTB, seis décadas depois

Para que a sigla ser formalizada, os criadores precisam colher assinaturas que correspondem a 0,5% dos votos válidos dados na última eleição geral para a Câmaras. Hoje, as adesões necessárias seriam de 591.148 eleitores

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Legenda histórica da política nacional, que abrigou os ex-presidentes Getulio Vargas e João Goulart, além do ex-governador Leonel Brizola, o PTB é alvo de uma disputa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De um lado, os petebistas históricos e, do outro, o grupo político ligado a Roberto Jefferson, que controlou o partido desde o início dos anos 1980 até recentemente, quando lançou o Padre Kelmon à Presidência da República, em 2022. O religioso terminou em sétimo lugar, com 0,07% dos votos. 

Extinto em 1965, o PTB foi atingido pelo Ato Institucional número 2, baixado pela ditadura. Na abertura política, após uma primeira disputa no TSE, o partido foi entregue a Ivete Vargas, sobrinha de Getulio. Brizola foi o derrotado nessa briga judicial na corte eleitoral. Esse PTB virou linha auxiliar do PDS, partido de sustentação do regime militar. 

O partido do legado trabalhista deixou de existir novamente no ano passado, quando se fundiu ao Patriota e, dessa fusão, foi criado o PRD (Partido da Renovação Democrática). Nesse vácuo, antigos aliados de Brizola viram a chance de refundar o PTB, limpar o ranço de extrema-direita e recuperar o status de partido de centro-esquerda, voltado ao trabalhismo. 

À frente desse processo, o ex-deputado Vivaldo Barbosa, do PDT, que atuou na Constituinte e que foi secretário de Justiça de Brizola na sua primeira passagem pelo governo do Rio, em 1983, decidiu refundar o PTB “autêntico”. O brizolista organizou uma assembleia, fez o registro no TSE e deu-se início à coleta de assinaturas em busca do “renascimento” do partido. 

Os petebistas bolsonaristas contestaram, no TSE, a iniciativa dos históricos e obtiveram, em janeiro, uma liminar suspendendo o processo. Anteontem, por 7 a 0, com o voto do presidente, Alexandre de Moraes, o tribunal restabeleceu o direito do grupo ligado a Getulio, Jango e Brizola de retomar a tentativa de voltar com a legenda para colher assinaturas.

Vivaldo Barbosa comemorou. “É uma decisão histórica, que recupera o trabalhismo. Diria que vingamos Leonel Brizola”, afirmou Barbosa ao Correio. Ele projeta as pretensões eleitorais do novo PTB somente para 2026, sem tempo de viabilizá-lo para 2024.

O advogado Cláudio Pereira Neto, que atuou na defesa dos interessados na recriação do partido, também se referiu ao feito como uma decisão histórica. “É o resgate, a reabilitação de um partido importantíssimo na história política do país. É um ato de reparação”, afirmou.

Para o partido ser formalizado, os criadores do PTB precisam colher assinaturas que correspondem a 0,5% dos votos válidos dados na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. Hoje, as adesões necessárias seriam de 591.148 eleitores.

Por Evandro Éboli do Correio Braziliense

Foto: Pedro França/Agência Senado / Reprodução Correio Braziliense