Nos últimos dias, tenho ouvido muito uma frase, principalmente de mulheres: “O dia precisaria ter mais de 24 horas para eu dar conta de tudo o que tenho para fazer”. Eu, que sempre fui péssima em matemática, decidi fazer uma conta básica para tentar concluir se, de fato, o tempo anda mais escasso ou se há um tanto de exagero nos meus interlocutores.
Sem nenhuma metodologia científica, claro, resolvi dividir o dia em três partes iguais: oito horas de trabalho, oito horas de sono e oito horas para cumprir todas as demais demandas cotidianas. Se levarmos em consideração uma pessoa adulta, provavelmente esse último terço será insuficiente. E, se ela tiver filho, então, com certeza, será impossível fazer todas as tarefas exigidas.
Vamos levar em consideração o que a sociedade moderna exige de nós. Precisamos praticar atividade física — a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, para adultos, por semana, 150 a 300 minutos de prática aeróbica moderada ou 75 a 150 minutos de vigorosa; alimentarmo-nos bem — e muitas vezes preparar a própria comida; fazer os afazeres domésticos; e, em caso de filhos, cumprir todas as obrigações que eles nos demandam. E elas não são poucas.
Coloque nesse somatório o tempo enorme perdido no trânsito, afinal, foi-se o tempo em que as vias largas de Brasília estavam livres dos engarrafamentos comuns às grandes metrópoles. Hoje, em qualquer deslocamento, é preciso calcular o dobro do tempo que gastávamos há alguns anos. Ponha, ainda, nessa conta, a manutenção da saúde — idas a médicos, dentistas, realizações de exames etc. — e os cuidados estéticos, sobretudo entre as mulheres, que ainda sofrem a pressão de estar sempre com cabelo, make e unhas impecáveis.
E quando eu destaco a sobrecarga das mulheres, aí, sim, estou usando dados científicos. Estudo lançado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), no final de 2025, mostra que, no Brasil, as mulheres dedicam em média 9,8 horas a mais por semana ao trabalho de cuidado não remunerado do que os homens.
Se você quiser tirar um tempinho para relaxar lendo um livro ou assistindo a uma série, certamente terá que “roubar” essas horas do terço que eu tinha, empiricamente, separado para o sono. E dormir bem — aí vai mais um dado científico — é fundamental para a saúde física e mental. Uma noite bem dormida atua na reparação de tecidos, consolida a memória, regula os hormônios e fortalece o sistema imunológico, só para citar alguns benefícios. Não vou nem falar do uso excessivo de celular, do qual viramos escravos, porque esse seria assunto para muito mais linhas.
Diante dessa minha análise meio mequetrefe, com base apenas em vivências cotidianas, parece que as pessoas estão certas quando dizem que as 24 horas do dia não são suficientes. Mas, cuidado, porque as consequências disso podem ser bem perigosas. Aí, a gente fala disso na próxima crônica.
Foto: Pixabay












