Em post nas redes, Zema volta a defender trabalho na adolescência

Pré-candidato à presidência, o ex-governador citou aumento da informalidade e recrutamento de jovens por facções para justificar medida

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), voltou a usar as redes sociais para defender o trabalho na adolescência. Em vídeo publicado neste sábado (2/5), ele afirmou ser necessário ampliar oportunidades “com proteção, sem atrapalhar a escola” e mencionou informalidade entre os jovens para justificar ampliação do programa jovem aprendiz, que permite o emprego de adolescentes a partir dos 14 anos, mas com uma série de restrições.

“Milhões de jovens já trabalham hoje, mas na informalidade, sem regra, sem nenhuma proteção. Somos um país que finge que protege os jovens e as crianças. Essa é que é a verdade. E eu não tenho medo de dizer isso não”, disse o pré-candidato, que também citou a influência do crime organizado no aliciamento de adolescentes ao trabalho ilícito.

“Quando um adolescente não encontra o caminho da educação e do trabalho, sabe quem é que oferece oportunidade para ele? O crime. As facções já têm um plano de carreira prontinho para recrutar os adolescentes. Então a escolha é muito simples. Ou a gente vira as costas e deixa o jovem à própria sorte, ou a gente abre as portas para ele aprender a trabalhar de forma honesta e construir o seu futuro”, acrescentou Zema.

Na última sexta-feira (1º/5), ao participar do podcast Inteligência Ltda., o ex-governador atribuiu à esquerda a responsabilidade pela ideia de que o trabalho infantil atrapalha o desenvolvimento da criança. “Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal, recebe lá não sei quantos centavos por cada jornal entregue, no tempo que tem. Aqui é proibido, né? Você tá escravizando criança. Então é lamentável. Mas tenho certeza que nós vamos mudar”, afirmou.

No Brasil, a lei proíbe trabalho infantil, entendido de menores de 16 anos. Adolescentes a partir de 14 anos podem atuar como menor aprendiz, mas as ocupações devem seguir regras delimitadas, como a proibição de trabalhos noturnos, insalubres e perigosos.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil