Lula recebe Messias e defende permanência no governo

Encontro ocorreu fora da agenda na segunda-feira (4/5), no Palácio da Alvorada. Lula reiterou a confiança em Messias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, na noite de segunda-feira (4/5), o Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para um encontro fora da agenda, em que discutiram a derrota da indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo interlocutores ouvidos pelo Correio, sob reserva, Lula pediu a Messias que continue no governo federal, e reiterou a confiança no aliado. Ambos combinaram uma nova reunião para a semana que vem para retomar a discussão, após o retorno de Lula de uma viagem aos Estados Unidos.

O futuro de Messias no governo ainda é incerto. Após a indicação ao STF ser rejeitada pelo Congresso, na semana passada, ele cogitou deixar a AGU, pensando não ter mais condições políticas de exercer o cargo.
Play Video

Tanto Lula quanto Messias avaliam que mesmo senadores de oposição reconheceram que o indicado tem todas as qualidades necessárias para ocupar uma cadeira no Supremo, e que ele foi barrado apenas por uma interferência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Messias pode virar ministro da Justiça

Interlocutores do governo defendem ainda que Messias seja nomeado ministro da Justiça e Segurança Pública, no lugar do atual titular, Wellington César Lima e Silva. Essa seria uma forma de premiar o AGU, que é um dos aliados mais próximos de Lula, e compensá-lo pelo desgaste sofrido com a indicação ao STF.

Lima e Silva, por sua vez, sofre críticas dentro do governo por sua atuação considerada apagada, à frente de uma das pastas mais importantes da gestão, especialmente em ano eleitoral. Ontem, antes de receber Messias, Lula esteve com o ministro da Justiça no Palácio do Planalto, mas a pauta da reunião não foi divulgada.

Como ministro da Justiça, Messias também teria o comando da Polícia Federal (PF), que investiga as fraudes do Banco Master e as relações políticas do banqueiro Daniel Vorcaro. O caso é espinhoso para o Congresso e tem potencial para atingir diversos parlamentares, inclusive Alcolumbre e seus aliados.

Por Resenha de Brasília
Fonte Correio Braziliense
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil