Que torcedor é você na Copa? Conheça os vários perfis

Há diferentes perfis de torcedores durante o Mundial, mas o interesse do país inteiro é o mesmo: ver o Brasil hexacampeão

A Copa do Mundo começou nos três países-sede e, também, dentro da casa do torcedor. Entre palpites certeiros, superstições e churrascos programados, os brasileiros se prepararam para acompanhar as partidas. E há diferentes perfis de torcedores que surgem a cada edição do Mundial. Tem quem acompanhe futebol o ano inteiro e aproveite a Copa para mostrar seus conhecimentos táticos. É o famoso “técnico de sofá”, que transforma cada lance em uma aula sobre escalação, posicionamento e substituições. 

Jordean Sales, 36 anos, morador de Planaltina, faz parte do grupo que vive a Copa do Mundo intensamente. Antes mesmo de a competição começar, ele tinha em mente quais adversários vão dar mais trabalho: França e Espanha. “São rivais históricos e com jogadores nos maiores times do mundo”, analisa. Mas nem mesmo técnicos de sofá dispensam o uniforme. Ao lado da esposa, Francisleide Sales, 37, e das filhas Ana Clara Sales, 11, e Izabelly Sales, ele garantiu as camisetas da família e reforçou a confiança no tão esperado hexacampeonato. 

No outro extremo, está o “fã de Copa”, aquele torcedor que reaparece a cada quatro anos vestido de verde e amarelo da cabeça aos pés. Mesmo sem decorar a escalação ou entender todas as regras do jogo, ele compensa com empolgação. É quem organiza a torcida, pinta o rosto e transforma qualquer partida em motivo para festa.

Ana Carolina Lima, 29 anos, moradora de Sobradinho, se define como a típica torcedora que acompanha o futebol com mais intensidade apenas durante as Copas do Mundo. Ela afirma que pretende entrar no clima da competição, principalmente pela confraternização com amigos e familiares. “Estou aqui só para torcer mesmo, para brincar com o pessoal. Copa é para se divertir”, contou. Sobre a atual Seleção, aposta que o protagonismo ficará com Vini Jr. “Quem vai ajudar ali vai ser mais o Vini. Vem brilhando muito”, avaliou.

Há, também, os apaixonados pelos números. O chamado “rei do Excel” passou semanas simulando resultados, analisando grupos e calculando possíveis adversários nas fases eliminatórias. 

O jornaleiro da Banca Shalon, Claudio Damaceno, 53, morador de Arniqueira, acompanha vídeos sobre as seleções e faz previsões sobre os resultados. “Nas últimas Copas, gostava de preencher aquelas tabelinhas que davam nos mercados e farmácias com os placares dos jogos”, conta.

Segundo ele, a expectativa dos torcedores tem aquecido o comércio e aumentado a procura por álbuns e figurinhas. Apesar de gostar de fazer projeções, Claudio destaca que o futebol sempre reserva surpresas. “O futebol é muito dinâmico, é impossível prevermos, mesmo através de tabelas ou matemática, quem será campeão ou não. Podemos especular, mas afirmar é impossível. Ainda assim, fico otimista com a seleção”, afirma. 

Sorte e comida

Mesmo com os ânimos à flor da pele por conta da estreia da Seleção, há quem se reúna com grupos de amigos apenas para aproveitar uma boa refeição em companhia. No clima do hexa, a outra paixão do brasileiro, o churrasco, ganha as casas dos brasilienses. 

O grupo de amigos da estudante Beatriz Sigelmann, 21, iria se reunir em casa para fazer um churrasco no jogo da Seleção. A união que começou nas salas de aula do curso de psicologia da Universidade de Brasília (UnB) se estendeu para um momento de confraternização. “É a nossa primeira Copa juntos, então decidimos comemorar e fazer essa pequena reunião. Vai ser um momento legal fora de sala”, disse Beatriz. 

A inspiração veio de seus pais, que costumam se reunir com amigos com o mesmo objetivo. “Minha família sempre se organiza nessas ocasiões, seja Copa, Olímpiadas ou qualquer evento que dê para fazer uma reunião com amigos. Decidi reproduzir com os meus amigos o que meus pais fazem”. 

Colega de Beatriz, Iago Pereira, 20, conta que a Seleção tem decepcionado muito, então, seu foco será aproveitar a boa comida. “A Seleção não tem colaborado muito com o torcedor. A atração principal vai ser o churrasco”, brincou. 

Entre uma torcida e outra, também aparecem os supersticiosos. São aqueles que acreditam que qualquer mudança de lugar no sofá pode interferir no desempenho da equipe e preferem não correr o risco de “zicar” a Seleção.

O estudante de medicina Ronaldo Adusumilli Andrade, 23, morador da Asa Norte, atribuiu a uma dupla de santos um papel nos momentos decisivos no futebol. O ritual começou nas quartas de final da Copa do Brasil de 2022, em um confronto entre São Paulo e Palmeiras. 

“Apesar do meu ceticismo, acabei me rendendo à religião e à fé. Fui ao quarto da minha mãe e pedi que ela me emprestasse a imagem de Nossa Senhora e de algum santo que resolvesse situações urgentes e impossíveis”, relembra.

A escolha recaiu sobre Santo Expedito e, após a vitória tricolor nos pênaltis, o hábito se transformou em superstição. “Desde então, nunca mais deixei de carregá-los comigo e estendi esse hábito também aos jogos da Seleção Brasileira”, conta. Para ele, a eliminação do Brasil para a Croácia, na Copa do Mundo de 2022, tem uma explicação. “Tenho certeza absoluta de que o Brasil não avançou de fase porque esqueci meus santos em casa”, afirma.

E, claro, nenhuma Copa estaria completa sem o “embaixador do bolão”. Figura presente em grupos de família, amigos e trabalho, ele é responsável por organizar apostas, cobrar participantes e comemorar quando acerta um placar improvável. 

O gerente-geral José Pereira Júnior, 45, morador do Gama, organizador do bolão entre amigos e familiares, explica que é uma forma de aproximar as pessoas em torno da paixão pelo futebol. “Organizo as apostas definindo regras claras, prazo para envio dos palpites e um sistema de pontuação para premiar quem tiver melhor desempenho ao longo da competição”.

*Colaborou Francisco Artur de Lima

QUADRO

Quando o Brasil joga?

Torcedor brasileiro de verdade fica ligado nas partidas. Confira quando a selação canarinho entra em campo:

1ª rodada

Brasil x Marrocos — Sábado (13/6), às 19h de Brasília — Estádio MetLife (EUA)

2ª rodada

Brasil x Haiti — Sexta-feira (19/6), às 21h30 de Brasília — Estádio Lincoln Financial Field (EUA)

3ª rodada

Escócia x Brasil — Quarta-feira (24/6), às 19h de Brasília — Estádio Hard Rock (EUA)

Fonte Correio Braziliense
Foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press