A Copa do Mundo de 2026 chegou à fase decisiva, e a corrida também está intensa fora dos gramados. Na capital, colecionadores de figurinhas do álbum do torneio mundial têm lotado bancas e pontos de trocas da cidade para completar a revista. Entre pilhas de fotinhas repetidas dos craques, a busca envolve crianças, adultos e famílias inteiras em busca dos últimos cromos e de realizar o sonho de concluir a experiência.
Para o estudante Daniel Baby, 22 anos, a ansiedade aumenta à medida que o álbum se aproxima do fim. Depois de chegar ao ponto de troca com centenas de figurinhas repetidas, ele viu a coleção evoluir rapidamente. “Tinha umas 400 ou 500 figurinhas para trocar. Em dois ou três dias, consegui sair de cerca de 70% para 95% do álbum. Mas agora fica difícil. Quando faltam poucas figurinhas, vai no conta-gotas. A ansiedade bate porque a gente quer completar logo”, disse o jovem, que precisava apenas do escudo da Bósnia e Herzegovina para fechar.
Apesar de tão perto do objetivo, Daniel garantiu que não pretende comprar a figurinha que falta. “Eu acho que a graça está justamente na troca. Vai muito além de completar o álbum. É uma socialização muito legal. Prefiro insistir até o último momento e, se não conseguir, peço as figurinhas diretamente para a Panini (loja). Comprar de terceiros tira um pouco da emoção”, ressaltou.
O estudante conta que a coleção deste ano também representa uma conquista pessoal. “Nas últimas Copas, eu não conseguia completar porque ainda não tinha renda. O de 2014 meu pai me ajudou. Os de 2018 e 2022 ficaram pela metade. Estou trabalhando e consigo comprar com o meu próprio dinheiro. Então, completar sozinho este virou questão de honra”, afirmou Baby.
Gerações
A paixão pelo álbum também aproximou ainda mais pai e filho. Olavo Soares, 45, percorre os pontos de troca acompanhado do filho Hugo Soares, 5. Os dois estão a apenas quatro figurinhas do objetivo final. “Tem gente vendendo e dá aquela tentação de comprar, mas eu quero completar naturalmente. Ele (filho) quer comprar, eu quero trocar. Então vamos continuar procurando aqui até dar certo”, comentou com otimismo.
Colecionador desde criança, Olavo contou que ficou anos longe dos álbuns antes de retomar o hobby ao lado do filho. “Eu colecionei em 1990 e 1994, fiquei duas edições sem fazer, depois voltei em 2006 e parei de novo. Agora, depois de quatro Copas estou fazendo junto com ele. É muito legal passar essa paixão para ele. Eu gosto muito de futebol, mas também de bandeiras, mapas e história. O álbum acaba reunindo tudo isso”, pontuou.
Quem também entrou no universo das trocas foi a médica Gabriela Graciano, 42. A jornada começou pelos filhos de 6 e 8 anos, e também conquistou a mãe. “Meus pequenos começaram devagar, só comprando pacotinhos. Aí, eu falei: ‘não, nós temos que trocar’ e assumi essa missão. Hoje estou adorando. É muito bacana interagir com as pessoas e viver essa emoção de completar o álbum”, destacou. Ela segue na busca da figurinha número 10 da Suécia.
Há quem alcançou a meta e completou o famoso álbum. Como o estudante Roberto Vital de Araujo, 21, que começou a coleção em meados de maio, motivado pelo irmão de 10 anos, que também queria fazer. “Terminamos no dia da estreia do Brasil. Foi uma festa!”, comentou. A última figurinha encontrada foi a Haiti 13. “A sensação foi incrível, pois fiquei sete horas trocando figurinha”, relembrou. Ao todo, o estudante estima ter investido cerca de R$ 1,2 mil para completar o álbum.
Mais do que reunir todas as figurinhas, Roberto destacou que a experiência foi marcada pelas amizades construídas durante a jornada. “Foi divertido. Conheci e fiz amizade com diversas pessoas, desde adultos até crianças. São experiências que somente a Copa do Mundo pode oferecer”, afirmou. Apaixonado pelo hobby, ele revela que completar álbuns do Mundial da Fifa faz parte da sua rotina desde 2014.
Há mais de quatro décadas à frente da tradicional banca na quadra 106 da Asa Norte, José Gonçalves Brito, 63, relembrou como começou a trabalhar com as coleções. “Essa história começou em 1994. Na época fiz uma promoção para quem completasse primeiro o álbum do Brasileirão. O Correio fez uma reportagem e daí deslanchou. Hoje, em época de Copa, o movimento aumenta demais”, compartilhou.
Segundo Brito, o bom desempenho da Seleção Brasileira também influencia diretamente o movimento. “Enquanto o Brasil continua na competição, a gente sente um aumento nas vendas. Se ganhar da Noruega, as vendas continuam fortes. Além disso, vai chegar às substituições que está todo mundo aguardando, como a figurinha do Neymar. Dia 8 vamos receber e vai dar outro aquecimento nas vendas”, concluiu.
Palpites
A busca pelas últimas figurinhas movimentou a banca, mas o próximo compromisso da Seleção Brasileira contra a Noruega, hoje, pelas oitavas de final, também domina as conversas. Daniel Baby apostou em uma classificação apertada. “Estou nervoso. A Noruega vem muito forte, mas acho que o Brasil ganha por 2 x 1. A Noruega com essa história de remar no estádio, e isso embala o time inteiro. Vai ser sofrido, mas nessas horas a camisa pesa”, disse.
Olavo Soares segue a mesma linha e também acredita na vaga brasileira, embora espere dificuldades. “Não vai ser fácil. O time deu uma ajustadinha, então acho que vence por 1 x 0 ou 2 x 1”, palpitou. Gabriela demonstra preocupação principalmente com as condições da partida. “Estou apreensiva. A previsão é de muito calor. Vai ser um jogo duro, mas acho que o Brasil consegue passar e estaremos na torcida”, acrescentou.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Ed Alves/CB/D.A Press











