Com as madrugadas cada vez mais frias no Distrito Federal, campanhas de arrecadação de agasalhos têm mobilizado escolas, condomínios e instituições para ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade. Além de aquecer quem enfrenta as baixas temperaturas, as iniciativas ajudam a prevenir problemas de saúde provocados pela exposição ao frio, principalmente entre idosos, crianças e pessoas em situação de rua.
Ontem, no Centro Educacional CCI Sênior, em Samambaia Norte, a solidariedade ganhou espaço na programação da festa junina. A iniciativa partiu das cinco turmas do 8º ano, que transformaram o Arraiá CCI em uma oportunidade para arrecadar agasalhos destinados a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Com o apoio da professora de Redação Mara Macedo, os estudantes organizaram toda a campanha, mobilizando colegas, familiares e visitantes para contribuir com a ação.
Segundo Mara, a proposta nasceu dentro das aulas de Redação e buscou mostrar aos alunos que o aprendizado pode ultrapassar os limites da sala de aula. “Aproveitando a proximidade do Arraiá CCI, surgiu a ideia de transformar esse aprendizado em uma ação concreta. O principal objetivo foi despertar nos estudantes a sensibilidade para as diferentes realidades sociais, mostrando que um gesto simples, como doar um agasalho, pode fazer a diferença na vida de quem mais precisa. Mais do que arrecadar peças, buscamos formar cidadãos conscientes, empáticos e promotores da paz e do bem”, explica.
Os próprios alunos ficaram responsáveis por desenvolver a campanha. Cada uma das cinco turmas criou sua identidade visual, produziu vídeos para divulgação e mobilizou familiares e amigos para participar da arrecadação. Os agasalhos serão destinados, em parceria com o Instituto AMMEOCCI, a instituições de Samambaia que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Mobilização
A adesão da comunidade escolar superou as expectativas. Para a professora, o resultado mais importante foi ver o envolvimento dos estudantes em todas as etapas do projeto. “A arrecadação foi extremamente significativa, mas o que mais nos alegra é perceber que eles compreenderam o verdadeiro sentido da solidariedade. O aprendizado se torna muito mais significativo quando o conhecimento sai do papel e ganha vida por meio de atitudes concretas. Esse é um valor que eles levarão para toda a vida.”
Segundo Mara, aproveitar um evento que reúne centenas de pessoas foi uma forma de ampliar o alcance da campanha e fortalecer a parceria entre escola, famílias e comunidade. “A escola acredita que a formação de crianças e adolescentes acontece por meio dessa união. Quando toda a comunidade se mobiliza em torno de uma causa, fortalecemos a construção de uma sociedade mais humana, acolhedora e comprometida com o próximo.”
Quem também apostou na mobilização da comunidade foi o síndico profissional e representante da FCA Condomínios, Fabiano dos Santos. A campanha surgiu a partir de um projeto social já realizado pelos moradores, que distribuem sopa semanalmente para pessoas em situação de vulnerabilidade.
“Durante as entregas, muitas pessoas perguntavam se também havia agasalhos. Então aproveitamos para mobilizar todos os condomínios que administramos e pedir que os moradores doassem roupas de frio para serem entregues junto com o sopão”, conta.
Segundo Fabiano, a solidariedade tem sido uma constante entre os moradores. Para incentivar as doações, ele costuma reforçar uma mensagem simples: “Cabide não precisa de agasalho”. “A gente percebe que muitas pessoas querem ajudar. Sempre lembramos que aquela roupa que está parada no guarda-roupa pode aquecer alguém que realmente precisa. Ainda existe muita humanidade, e essas campanhas mostram isso”, afirma.
A mobilização promovida pela escola e pelos condomínios faz parte de um movimento que se repete em diferentes regiões do Distrito Federal durante o inverno. Neste ano, o Governo do Distrito Federal realizou a Campanha do Agasalho Solidário 2026, com pontos de coleta espalhados por órgãos públicos e instituições parceiras, incentivando a doação de casacos, cobertores, mantas, toucas e outras peças de inverno para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Cuidados
Embora o inverno brasiliense seja conhecido pela baixa umidade do ar, as temperaturas registradas nas primeiras horas do dia também oferecem riscos à saúde. O médico generalista Guilherme Seith explica que a exposição prolongada ao frio favorece o surgimento ou agravamento de diversas doenças.
Entre os principais problemas estão gripes, resfriados, bronquite e pneumonia. “O frio resseca as mucosas e favorece a circulação de vírus respiratórios. Além disso, as pessoas costumam permanecer por mais tempo em ambientes fechados e pouco ventilados, aumentando o risco de transmissão”, explica.
O especialista alerta ainda para a hipotermia, condição em que a temperatura corporal cai abaixo dos 35°C, podendo levar à perda de consciência e, nos casos mais graves, à morte. O frio também aumenta o esforço do sistema cardiovascular, podendo agravar quadros de hipertensão e outras doenças cardíacas.
Segundo Seith, crianças, idosos e pessoas em situação de rua são os grupos mais vulneráveis, já que apresentam maior dificuldade para manter a temperatura corporal ou permanecem expostos ao frio por longos períodos.
Para o médico, campanhas de arrecadação de agasalhos representam mais do que um gesto de solidariedade. “Manter a temperatura corporal adequada reduz a incidência de hipotermia e diminui o agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares. Quando essas iniciativas se unem a ações de acolhimento e assistência social, o impacto para a saúde pública é ainda maior”, conclui.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Minervino Júnior/CB











