A cerca de 18,9 quilômetros do centro do Plano Piloto, no Setor Habitacional Taquari, no Lago Norte, o monumento mais jovem de Brasília oferece um mirante, com uma vista panorâmica 360º de tirar o fôlego. Com 182 metros de altura e duas cúpulas de vidro acopladas à estrutura, a Torre de TV Digital, também conhecida como “Flor do Cerrado”, está aberta para visitação de terça a sexta-feira, das 12h às 18h, e nos fins de semana e feriados, das 10h às 19h.
Inaugurada em 21 de abril de 2012, no 52º aniversário de Brasília, o monumento é o último projeto arquitetônico produzido por Oscar Niemeyer antes de morrer, em 5 de dezembro de 2012. Na época, o projeto foi chamado de “Flor do Cerrado”, nomenclatura utilizada até hoje, devido ao formato da obra que usou a flor Caliandra, típica do bioma, como inspiração. A base cilíndrica, formada por 120 metros de concreto e 50 metros de estrutura metálica, representa o caule da planta, enquanto as cúpulas de vidro dispostas, cada uma em um lado, seriam como pétalas desabrochando. A Torre também possui uma antena de 12 metros que transmite sinais de televisão digital para todo o Distrito Federal e cidades do Entorno.
Imensidão
Para a arquiteta e urbanista de Brasília Laila Mackenzie Mendonça, o ponto turístico que nem todo brasiliense conhece reafirma uma característica marcante de Niemeyer: transformar uma estrutura essencialmente funcional, criada para transmitir sinais digitais de televisão, em uma obra de arte com forte valor estético.
“Construída no ponto topográfico mais alto do Distrito Federal, ela foi concebida para ser um marco vertical de destaque, visível de quase todos os pontos da cidade”, afirma Laila. Ela entende a Torre como uma escultura complexa devido à sua escala monumental e afirma que nela é possível visualizar os traços mais definitivos de Niemeyer, como “as abóbadas, o tratamento estético da estrutura em concreto armado, as estruturas em balanço que desafiam a gravidade e o apreço pelo gesto livre da curva”.
A arquiteta acredita que o monumento foi construído para ser um marco na paisagem de Brasília. “A flor branca monumental que nasce bela no horizonte é o eixo vertical que liga o Cerrado contínuo sem fim ao amplo sem-fim azul da abóboda celeste, representada pelas cúpulas”, enfatiza a arquiteta. Do mirante, a 110m de altura do chão, os visitantes têm uma vista da cidade inteira, o que, segundo ela, evidencia o constraste entre a horizontalidade de Brasília e a imensidão do Cerrado.
Segundo Cíntia de Carvalho, que trabalha nas áreas administrativa e comercial da Torre, a obra ter sido a última projetada por Niemeyer está entre os fatores de maior interesse entre os visitantes. No entanto, ela ressalta o mirante 360° como o ponto alto da visita. “É o único monumento de Brasília que oferece uma vista panorâmica de 360º da cidade. É possível enxergar todos os pontos da capital lá de cima.”
Cíntia também chama atenção para um dos momentos mais aguardados por quem visita a Torre Digital: o pôr do sol. Do alto do mirante, a vista privilegiada revela um espetáculo de cores sobre o horizonte de Brasília, proporcionando uma experiência que, segundo ela, costuma encantar pessoas de todas as idades.
Visual
O administrador Rafael Martins e o filho usaram uma tarde livre durante a semana para conhecer o ponto turístico. “Moramos no Guará e nunca tínhamos vindo. Ficamos curiosos e decidimos vir conhecer”, afirma Rafael. Para o pai, o que mais chama atenção é o fato de conseguir ver a cidade inteira lá do alto da Torre. “A vista é impressionante. De longe, a gente não tem muita ideia da altura em que estamos. É muito legal”, destaca.
A mineira Rayanne Ferreira da Silva veio visitar o tio, Isaías da Silva Moura, em Brasília e aproveitou para visitar pela primeira vez a Torre de TV Digital. “É a minha segunda vez na cidade, mas ainda não tinha conhecido aqui”, relata. A professora ainda diz que classifica o passeio com a nota 9/10 e também reafirma a visão fenomenal proporcionada pelo mirante 360°. “Dá para ver a cidade toda. Lá embaixo, a gente acha que a cidade é pequenininha, sabe? A cidade é muito grande”, afirma Rayanne.
Além do mirante, a Torre Digital também oferece outros atrativos para quem a visita. O espaço conta com uma lojinha de souvenirs e exposições temporárias na cúpula mais baixa, a 60m da base. No térreo, os visitantes também encontram uma lanchonete, uma loja de artesanato e uma galeria de arte. Durante o ano, Cíntia explica que o espaço também funciona como palco para diversos eventos esportivos e culturais. “Recebemos eventos como Bike Camp, festas eletrônicas, encontros de carros e motos e muitas festas de aniversário”, afirma.
Isabel Cristina da Silva, de 58 anos, é brasiliense, mas mora em Sergipe há 15 anos. A atual estudante de pedagogia resolveu levar os dois filhos e marido para conhecerem a cidade onde nasceu e viveu boa parte de sua vida. “Há muito tempo que não venho, estou redescobrindo a cidade com eles. Já fomos no Congresso, na Esplanada, na outra torre, no Memorial JK e, agora, na Torre Digital também”, relata. Ela conta que, na época em que morava em Brasília, a torre ainda não tinha sido inaugurada. Quando questionados sobre a parte que mais gostaram da visita, a família não conseguiu escolher apenas um único ponto. “É muito diferente da Torre do Plano. Gostamos de absolutamente tudo”, diz Isabel.
Curiosidades
Visitantes
Durante a semana, a Torre Digital costuma receber, em média, 80 visitantes por dia. Já nos fins de semana, o número aumenta para 200 visitantes por dia.
Melhor horário
É na hora do pôr do sol que o espaço costuma receber o maior número de pessoas.
Duração média da visita
A visita ao mirante tem uma duração média de 20 minutos, com limite máximo de 40 pessoas simultaneamente no espaço.
Valores
Os ingressos custam R$ 26 (inteira) e R$ 13 (meia-entrada). O benefício é concedido a estudantes, idosos com 60 anos ou mais, pessoas com deficiência (PCD) e seus acompanhantes, além de profissionais das áreas da saúde, educação e segurança pública, frentistas e rodoviários, conforme previsto na legislação e nas normas vigentes.
*Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates
Fonte Correio Braziliense
Foto: Davi Pereira/CB/D.A Press











