Senadores dirão o que será o amanhã da Presidência e do STF

Estão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, duas por estado e pelo Distrito Federal. As pesquisas mostram vantagem expressiva da direita e da centro-direita

Embora não tenha centralidade na decisão da maioria dos eleitores, a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) impactou a disputa pelo Senado, que tem o poder de homologar a indicção de seus magistrados e mesmo aprovar o impeachment. Caso seja reeleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, terá a possibilidade de indicar mais quatro ministros; Flávio Bolsonaro, se vitorioso, já disse que pretende indicar seis, para essas quatro vagas, e mais duas que pretende abrir com os impeachments dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino.

Estão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, duas por estado e pelo Distrito Federal. As pesquisas mostram vantagem da direita e da centro-direita em número expressivo de estados, mas também revelam disputas muito abertas pelas segundas vagas. O controle do Senado, portanto, ainda não está definido. Além dos ministros do STF, a Casa confirma ou não autoridades do Banco Central, procurador-geral da República, dirigentes de agências reguladoras e embaixadores. Julga processos de impeachment de ministros do STF e exerce papel central na aprovação de reformas constitucionais. Para aprovar uma emenda à Constituição, são necessários 49 votos em dois turnos.

Uma bancada conservadora ampliada aumentaria a pressão sobre o Supremo, especialmente diante da crise provocada pelo caso Banco Master e pelo desgaste da Corte. O Senado deixaria de atuar apenas como moderador para assumir uma postura mais fiscalizadora e até de confronto. Mesmo sem os 54 votos necessários para afastar um ministro do STF, a direita poderá controlar comissões, convocar autoridades, aprovar pedidos de informação e impor custos políticos ao Supremo.

Caso Lula seja reeleito, provavelmente encontrará um Senado ainda mais conservador e terá dificuldades para aprovar indicações, reformas e projetos de maior conteúdo ideológico. MDB, PSD, União Brasil e PP darão as cartas do futuro. Sem esses partidos, não se aprovará nada. Flávio Bolsonaro, em contrapartida, teria um ambiente mais favorável à sua agenda no Senado, mas ainda dependeria do centro para aprovação de emendas constitucionais e impeachment de ministros do Supremo que levassem à formação de um “regime iliberal”.

Favoritos

No Norte, candidatos do PL, PP, Republicanos e outros partidos conservadores aparecem com força no Acre, em Rondônia, Roraima e Tocantins. No Pará, Helder Barbalho (MDB) lidera com folga, mas a segunda cadeira é disputada pelo delegado Éder Mauro (PL), Chicão (União Brasil), Zequinha Marinho (Podemos) e Celso Sabino (PDT). No Amazonas, Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB) representam uma composição mais próxima do centro político, enquanto, no Amapá, Raíssa Furlan (MDB) lidera, enquanto Randolfe Rodrigues (PT) enfrenta uma disputa apertada com Lucas Barreto (PSD).

A situação é semelhante no Centro-Oeste. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) lidera, seguida por Leila do Vôlei (PDT), Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT). A eleição brasiliense concentra, em quatro candidaturas, as principais correntes da política nacional: o bolsonarismo, o centro independente e a esquerda. Em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, candidatos ligados ao agronegócio e aos partidos de centro-direita ocupam as posições mais competitivas.

No Sul, a direita também parte em vantagem. No Rio Grande do Sul, Marcel van Hattem (Novo) lidera, mas Manuela D’Ávila (PSol), Sanderson (PL), Paulo Pimenta (PT) e Germano Rigotto (MDB) disputam a outra cadeira. No Paraná, Deltan Dallagnol (Novo), Alexandre Curi (PSD), Filipe Barros (PL) e Gleisi Hoffmann (PT) formam o primeiro pelotão. Em Santa Catarina, o eleitorado conservador favorece os candidatos vinculados ao PL e ao PP.

O Nordeste oferece o principal contraponto ao avanço da direita. Na Bahia, Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, lideram, embora João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos) permaneçam competitivos. No Ceará, Cid Gomes (PSB) ocupa a primeira posição, enquanto Capitão Wagner (União Brasil) e Luizianne Lins (PT) disputam a segunda vaga. Em Pernambuco, Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) aparecem à frente, ameaçados por Mendonça Filho (PL). No Piauí, Ciro Nogueira (PP), Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD) estão praticamente empatados.

O Maranhão apresenta um dos quadros mais fragmentados: Roseana Sarney (MDB), André Fufuca (PP), Lahesio Bonfim (Novo), Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama(PT) aparecem tecnicamente empatados. No Rio Grande do Norte, Styvenson Valentim (Podemos) e Zenaide Maia (PSD) largaram em posição favorável. Em Sergipe, Alessandro Vieira (MDB) e Rogério Carvalho (PT) tentam a reeleição. Em Alagoas, Renan Calheiros (MDB) lidera, mas enfrenta uma oposição fortalecida com Marina JHC (PSDB) e Arthur Lira (PP) na disputa.

As maiores incertezas, porém, estão no Sudeste. Em São Paulo, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) lideram numericamente, mas André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) estão muito próximos. Em Minas Gerais, Marília Campos (PT) aparece à frente, seguida por Carlos Viana (PSD), Aécio Neves (PSDB) e Domingos Sávio (PL). No Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT) lidera, enquanto Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL, disputam a segunda cadeira. No Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) lidera — Sérgio Menegelli (PSD), Fabiano Contarato (PT) e Rose de Freitas (MDB) disputam a segunda vaga.

Fonte Correio Braziliense
Foto: maurenilson