Cientistas políticos se unem em manifesto pela defesa da democracia no Brasil

Associações alertam para riscos ao processo eleitoral e cobram compromisso das autoridades com a Constituição: entenda os principais pontos

Associações científicas e profissionais da Ciência Política e de áreas correlatas divulgaram um manifesto expressando preocupação com os riscos ao processo eleitoral e à democracia no Brasil. O documento destaca a experiência institucional consolidada a partir da Constituição de 1988 como um patrimônio coletivo a ser preservado.

As entidades signatárias, que incluem a Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS), afirmam que a liberdade de investigação e o debate informado dependem das garantias constitucionais. Por isso, defendem a necessidade de defender essas garantias.

Pontos de alerta do manifesto

Segundo o texto, a democracia exige eleições livres, respeito aos resultados e proteção dos direitos. Nenhum mandato, afirmam os cientistas, autoriza o desmonte das garantias que tornam possível a soberania popular. Nesse sentido, o documento aponta a persistência de iniciativas que buscam deslegitimar as instituições eleitorais.Play Video

O manifesto também alerta para a permeabilidade da representação política à atuação do crime organizado. A presença de organizações criminosas e paramilitares na vida política é descrita como uma ameaça direta ao livre exercício da cidadania.

Outro ponto destacado é a soberania do processo eleitoral. O texto afirma que pressões de governos estrangeiros para influenciar escolhas eleitorais ou decisões judiciais são incompatíveis com a autonomia do país. A cooperação internacional deve se basear no respeito recíproco.

A responsabilização das autoridades é outra exigência. Denúncias de irregularidades ou conflitos de interesse devem ser apuradas com rigor, transparência e respeito à lei, independentemente da posição dos envolvidos. A independência do Supremo Tribunal Federal e de outros órgãos de investigação é fortalecida pela fundamentação das decisões e por procedimentos previsíveis.

A credibilidade das investigações, segundo o manifesto, não deve ser subordinada a conveniências da competição política. As associações pedem que lideranças políticas e meios de comunicação distingam fatos comprovados de indícios e acusações.

As entidades conclamam autoridades e forças políticas a assumirem compromissos com a integridade do debate público, a tranquilidade das eleições, o respeito aos resultados e a soberania nacional.

Signatárias:

Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS)

Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS)

Associação Brasileira de Antropologia (ABA)

Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (ABRAPEL)

Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica)

Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI)

Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED)

Fórum de Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas, Linguística, Letras e Artes (FCHSSALLA)

Fonte Correio Braziliense
Foto: maurenilson