Parada LGBTQIA+: Brasília faz festa e não esquece a militância

Comunidade LGBTQIA+ da capital se junta no Eixo Monumental para manifestar o orgulho por meio de muita diversão

Uma mistura de festa, militância e bandeiras distintas coloriu o centro de Brasília na tarde deste domingo (6/7). A Parada LGBTQIA+ juntou milhares de pessoas no Eixo Monumental. O intuito de cantar, dançar, se divertir, mas em momento nenhum esquecer de que os direitos da comunidade precisam ser garantidos e as condições de vida e existência do público que ali passeava ainda precisam melhorar.

Em quatro trios elétricos, a música se juntou aos discursos sobre as causas da comunidade e fez da Parada uma festa e um espaço de militância ao mesmo tempo. Figuras importantes da comunidade empunharam o microfone, que passou por mãos como as de Grag Queen, Adriana Bombom e da Deputada Érika Hilton, ovacionada pelo público. “Nós não somos só estatística, somos a força, a garra e a resiliência”, discursou a parlamentar.

“A Parada é sobre diversão, mas também é sobre militância”, exalta Vicente de Paula, 54. O servidor público federal acredita que dá para misturar essas duas motivações na parada para transmitir uma mensagem importante. “É importante que cada um de nós esteja aqui para celebrar quem somos, mas também mostrar para esse Congresso Nacional muito conservador que a gente não vai voltar para o armário. A gente vai continuar existindo apesar de quererem que a gente não exista, de boicotarem nossos direitos”, afirma.

Vicente estava com uma roupa bastante paramentada e divertida, contava com peruca de moicano, maquiagem com as cores do arco-íris e até tintura na barba. A ideia é mostrar uma forma diferente de expressar os próprios direitos. “Aqui é manifestação, só que a nossa forma de manifestar é por meio da alegria, da diversão, da música e se expressar o melhor possível para dizer que existimos e não vamos voltar para o armário”, diz o participante da Parada que não se sente constrangido em ser quem é. “A ideia de nos pressionar e nos constranger poderia funcionar 50 anos atrás, hoje não mais”, crava.

O servidor público entende que o lugar em que a Parada começou, na frente do Congresso Nacional é a ideal para transmitir a mensagem para quem deve recebê-la. “É representativo, porque poderíamos estar em qualquer lugar. Porém, estamos aqui, isso é simbólico, mostra que a gente resiste e teocracia nenhuma vai impedir a gente de existir”, destaca.

Porém, apesar de todas as críticas, a Parada também é sobre a festa e o sentimento de acolhida. Para isso a segurança é essencial. “A segurança aqui no evento tem sido incrível. Me senti acolhida de todas as formas e por todos que estão aqui fazendo tudo isso acontecer”, conta a drag queen Davilla Mc.Gaffney, presente no evento para representar a iniciativa Distrito Drag.

No final, a Parada LGBTQIA+ é uma exaltação de toda a forma de amor. “Me sinto acolhida porque estou entre pessoas que amam como eu amo e lutam realmente pelos direitos seja no mais burocrático, ou na diversão, festa e cultura”, ressalta a produtora cultural Beatriz Cruz, 22. “Aqui dá para se divertir sem se preocupar que alguma coisa ruim possa acontecer e sem julgamentos”, completa.

Acessibilidade

Uma das poucas críticas foi quanto à acessibilidade para as pessoas com deficiência (PCDs). Beatriz tem uma dificuldade de locomoção e sentiu falta de iniciativas para melhora a experiência dela no evento. “Sinto falta de facilitar a chegada de mais pessoas com deficiência aqui. Ainda estamos em um processo de aumentar a acessibilidade”, pontua a produtora que encontra os pontos positivos e negativos: “Vi que alguns trios tiveram a iniciativa de auxiliar pessoas com deficiência. Porém, senti falta de lugares para sentar ao longo do caminho e formas de chegar da rodoviária até o congresso para os PCDs”.

Por Resenha de Brasília

Fonte Correio Braziliense       

Foto: Ed Alves CB/DA Press