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Cury defende uso da IA na administração federal e menos ministérios

Médico, escritor e empresário, o postulante afirmou também, durante sabatina da TV Globo, que a "dívida pública está em níveis estratosféricos e o governo precisa ser responsável"

O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) participou da sabatina da TV Globo defendendo uma ampla digitalização da máquina pública, o uso da inteligência artificial na administração federal e a redução do número de ministérios. Médico, escritor e empresário, o postulante apresentou poucas propostas detalhadas e, em diferentes momentos da entrevista, recorreu a falas ensaiadas e referências literárias para sustentar suas respostas.

Logo no início, Cury citou o escritor russo Leon Tolstói e buscou direcionar o debate para a situação fiscal do país. Segundo ele, cada criança brasileira de dois anos já carregaria uma dívida de ao menos R$ 50 mil. O candidato afirmou também que a “dívida pública está em níveis estratosféricos e o governo precisa ser responsável”.

Entre as medidas apresentadas, o presidenciável defendeu uma auditoria na gestão pública, a revisão de cerca de 50 mil cargos comissionados para identificar quais seriam essenciais e quais poderiam ser eliminados, além de uma reavaliação de contratos firmados pelo governo. Também prometeu medidas de combate à corrupção e mudanças no Bolsa Família, argumentando que seria necessário criar mecanismos para que entre 10 milhões e 15 milhões de beneficiários possam aumentar a renda sem perder imediatamente o auxílio.

Cury dedicou parte da sabatina à tributação das casas de apostas. “Eu taxaria as bets seriamente. Sabe quanto as bets pagam de imposto? Pagam 12%. Alimento, 18%. E, por incrível que pareça, luz, 30%, 33%. Se nós não taxarmos as bets… E deveríamos taxá-las, pelo menos com 50%, nós vamos ter uma economia muito grande. Talvez 40% a mais em relação aos 12%, 52% seria uma taxação razoável”, arguiu.

Ao ser questionado sobre a promessa de enxugar a Esplanada, Cury evitou apontar quais estruturas seriam extintas e disse que será necessária uma “análise criteriosa”. Ainda assim, calculou que entre seis e dez ministérios seriam eliminados caso chegue ao Palácio do Planalto. Na direção contrária, prometeu criar uma pasta dedicada à segurança pública e chegou a citar o candidato Ronaldo Caiado (PSD) para comandá-la.

A inteligência artificial, no entanto, ganhou espaço central nas respostas. Cury defendeu a criação de uma secretaria executiva dedicada ao tema, incluindo também a robótica, como forma de preparar o país para as mudanças no mercado de trabalho provocadas pelas novas tecnologias. “Se nós não tivermos uma secretaria executiva ou o Ministério da Inteligência Artificial e Robótica, o Brasil vai ser atropelado e pode ser que haja dezenas de milhões de desempregados, e ninguém fala sobre isso”, disse Cury. “Sim, nós vamos cortar, mas em algumas áreas nós temos que aumentar, e aumentar de maneira urgente.”

Ao longo da entrevista, o candidato também tentou abordar a violência contra a mulher, recorrendo à pergunta “sabe quantas mulheres morrem no dia?”. 

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