Vendas em baixa e ofensas: a rotina de quem comercializa artigos de candidatos

Comércio de toalhas políticas na Epia Sul enfrenta movimento fraco e ofensas nas vias do DF. Veja as regras para o dia de ir às urnas

Por volta das 11h desta sexta-feira (2/10), Regivan da Silva, 46 anos, organizava em três varais as toalhas com o rosto dos dois candidatos à Presidência mais cotados nas intenções de votos. Os tecidos estampam as cores das campanhas de cada um, além de frases de efeito associadas aos postulantes. Também há redes — essas de cores diversas. “As bandeiras estão em falta”, comenta.

O engajamento no serviço, com presença na Epia Sul todos os dias, não tem rendido tanto lucro quanto o esperado. “Na eleição passada, as vendas foram bem melhores.” Em média, 30 toalhas são comercializadas por dia, principalmente no fim da tarde. Cada uma custa R$ 50. “É muito comum os motoristas passarem de carro buzinando. Alguns gritam e comemoram, outros ‘apelam’. Às vezes, gritam ‘tira esse ladrão daí’. Eu brinco, respondendo ‘qual deles?’”. 

Apesar de estar apenas trabalhando, Regivan também é alvo de ofensas. “Já fui xingado várias vezes. Infelizmente, as pessoas levam muito para o pessoal”, acrescenta. Mas ele não se abala. “Eu deixo para lá. Cada um tem seu posicionamento, assim como tenho o meu. Nem por isso priorizo só um candidato em meus produtos. Trabalho é trabalho”, destaca.

Depois do fim das eleições, que podem ser decididas no próximo domingo (4/10), ele retoma as vendas de toalhas e bandeiras de times de futebol. “Essas saem bem. Inclusive, você torce para qual?”, questionou à reportagem, antes de terminar a arrumação dos itens nos três varais. 

O que pode e o que não pode

No próximo domingo, cada eleitor fará seis escolhas para os cargos de deputado federal, estadual ou distrital, dois senadores, governador e presidente. Confira o que é permitido e proibido para exercer seu direito ao voto sem cometer crimes eleitorais:

  • Celular fora da cabine: o eleitor deverá deixar o aparelho com a mesa receptora antes de se dirigir à urna.
  • Manifestação silenciosa: o eleitor pode usar bandeiras, broches, adesivos e camisetas. No entanto, manifestações coletivas, ruidosas ou que tentem influenciar outros eleitores são proibidas. A distribuição de camisetas também é vetada.
  • Boca de urna: pedir votos, distribuir propaganda ou aliciar eleitores perto dos locais de votação no dia do pleito é considerado crime eleitoral.
  • Cola eleitoral: o eleitor pode levar uma “cola” em papel para a cabine. É permitido anotar os números dos candidatos e consultar o lembrete no momento de registrar o voto na urna eletrônica.
  • Pessoas com mais de 80 anos têm prioridade na fila de votação, independentemente do horário de chegada. Já eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida podem contar com o auxílio de uma pessoa de sua escolha.
  • A urna eletrônica dispõe de recursos como áudio, fones descartáveis, teclado em Braille e intérprete de Libras. O acesso com cão-guia também é permitido.
  • O voto de eleitores indígenas é assegurado, e eles podem se expressar em suas línguas maternas. Além disso, todo trabalhador tem o direito de se ausentar do serviço pelo tempo necessário para votar, sem prejuízo no salário.
  • Os portões dos locais de votação fecham às 17h, no horário de Brasília. Após esse horário, apenas quem já estiver na fila poderá votar.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press