Fim da escala 6×1 preocupa comércio varejista e atacadista do DF

O Sindiatacadista-DF e a Fecomércio-DF, que segue o mesmo entendimento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), criticam a falta de maior participação das empresas no debate e cobram avaliação dos impactos sobre custos, empregos e competitividade

A aprovação no Senado da PEC que acaba com a escala 6×1 acendeu o alerta no setor produtivo. O Sindiatacadista-DF e a Fecomércio-DF, que segue o mesmo entendimento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), criticam a falta de maior participação das empresas no debate e cobram avaliação dos impactos sobre custos, empregos e competitividade. Com a promulgação prevista para a próxima semana, as entidades defendem diálogo e negociação coletiva para adequar as novas regras às particularidades de cada atividade econômica.

Custo

O Sindiatacadista-DF estima que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial, elevará em cerca de 10% o custo da hora trabalhada. Com margens de um dígito, o atacado teria pouca capacidade de absorver a alta.

Preços

Segundo o Sindiatacadista-DF, cada aumento de 1% na folha de pagamento do comércio se reflete, no longo prazo, em cerca de 0,6% nos preços. A entidade projeta pressão de aproximadamente 6% sobre os preços ao consumidor, estimativa que depende dos efeitos da mudança sobre os custos.

Logística

O sindicato alerta que a reorganização das jornadas exigirá ajustes nas equipes e na logística do atacado. Sem tempo e condições adequadas de adaptação, a distribuição de mercadorias corre o risco de ser afetada, com reflexos no abastecimento do varejo.

Eleições

A CNC critica a aprovação da PEC nº 221/2019 em período eleitoral. Para a entidade, mudanças estruturais nas relações de trabalho exigem análise técnica dos efeitos sobre emprego, competitividade e sustentabilidade das empresas.

Negociação

A negociação coletiva é a principal alternativa defendida pela CNC. A confederação argumenta que acordos entre empregadores e trabalhadores permitem considerar as diferenças entre setores e regiões, com maior previsibilidade e segurança jurídica.

Qualidade de vida

Sindiatacadista-DF e CNC reconhecem a importância de melhorar as condições de trabalho, mas alertam para os efeitos econômicos da mudança. As entidades defendem uma implementação que concilie qualidade de vida, preservação dos empregos e sustentabilidade das empresas.

Serviços em alta

O setor de serviços do Distrito Federal interrompeu quatro meses consecutivos de retração ao registrar alta de 3,7% em agosto, na série com ajuste sazonal, em forte descolamento da média nacional, que recuou 0,1%. O resultado consolida a capital federal na liderança do crescimento do segmento no Brasil, com expansão acumulada de 9,1% no ano e de 9% de setembro de 2025 a agosto de 2026. Segundo o IBGE, o desempenho acabou impulsionado pelo dinamismo em informação e comunicação, que saltou 20,4% frente a agosto de 2025, além dos serviços profissionais e administrativos (11,7%). Em contrapartida, as atividades turísticas voltaram a mostrar perda de tração com recuo de 0,2% no mês e tombo de 7,3% no confronto interanual, enquanto os serviços prestados às famílias amargaram a quarta queda seguida (-6,4%), evidenciando que a retomada local segue concentrada no segmento corporativo e de tecnologia.

Presentes em queda; lazer em alta

O comportamento de consumo no Dia das Crianças mostrou uma mudança de gastos no varejo nacional. Segundo dados consolidados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), as vendas gerais cresceram 4,2% em todo o país no período de 6 a 12 de outubro, mas o faturamento das categorias tradicionais de presentes encolheu 5,7% em relação ao ano anterior.

Na contramão dos brinquedos e do vestuário infantil, o segmento de bares e restaurantes saltou 15,5%, apontando que as famílias priorizaram o lazer compartilhado e a gastronomia em detrimento das compras físicas de itens duráveis. O movimento também quebrou a dinâmica dos canais de venda: pela primeira vez na série histórica apurada pelo índice, as lojas físicas superaram o ritmo do comércio eletrônico na data comemorativa, consolidando a vitória da experiência presencial sobre as aquisições digitais.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Divulgação