Animais em risco de extinção ganham cuidados especiais no Zoo de Brasília

Axolote, cervo-do-pantanal, ariranha e ararajuba recebem tratamentos e ambiente ideais para que vivam em segurança e em condições adequadas para a reprodução

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O que o cervo-do-pantanal, o axolote, a ariranha e a ararajuba, animais tão diferentes, têm em comum? Todos são espécies ameaçadas de extinção. O Zoológico de Brasília, que tem o objetivo de promover um ambiente adequado a animais em dificuldade de se manterem no seu ambiente natural, possui algumas espécies ameaçadas e proporciona as condições adequadas para a reprodução destes indivíduos.

O axolote, um anfíbio, é originário dos lagos mexicanos e está classificado como “criticamente em extinção”. Por ser um animal exótico, ele é capturado para ser exibido como “peixe ornamental”. Portanto, o tráfico e a perda de seu habitat são as principais causas de extinção do animal. A supervisora de Manejo de Fauna do Zoológico de Brasília, Mariana de Carvalho, disse que os três exemplares do axolote existentes no Zoo da capital são fêmeas. Uma chegou em Brasília em agosto de 2019 e as outras duas em janeiro de 2022. Ele se tornou popular por ser um dos personagens do jogo infantil de videogame Minecraft.

Perguntada sobre a expectativa de o Zoológico de Brasília conseguir um macho, o que tornaria possível a reprodução da espécie, Mariana respondeu: “Esse animal não pode ser criado com pet, então só chegam no Zoológico por meio de apreensão do tráfico. Então, caso seja apreendido algum macho, a gente tem a expectativa sim de trazer para cá e começar um plano de conservação da espécie”, disse. Com sua carinha engraçada, o axolote é neotênico, que é quando o indivíduo mantém as características de larva, mesmo depois de chegar a fase adulta. Ele também tem a capacidade de se regenerar, caso perca alguma parte do corpo.

Cervo-do-pantanal

O cervo-do-pantanal é um animal originário do Pantanal mato-grossense, podendo ser encontrado também na Ilha do Bananal, no Tocantins, e no centro-norte da Argentina. De acordo com o Zoo, este é um animal em extinção, sendo classificado como “em vulnerabilidade”. No Zoológico de Brasília há dois cervos, um macho e uma fêmea. O macho chegou à cidade devido a uma apreensão em Rio Verde (GO); a fêmea foi resgatada em Luís Eduardo Magalhães (BA) e veio para Brasília dentro do Plano de Manejo Nacional, para reproduzir. Ela nasceu em cativeiro. Os dois chegaram à cidade em 2021.

O chefe do Núcleo de Conservação e Manejo de Mamífero, o biólogo Eduardo Santos, disse que os dois estão integrados e são grandes as chances de reprodução. “A ideia não é só reproduzir, mas que os filhotes sejam reintroduzidos na natureza”, previu. O tempo de gestação de um cervo-do-pantanal é de nove meses e nasce apenas um indivíduo por vez.

Ariranha

Outro animal ameaçado de extinção no grau classificado como “em perigo” e que vive no Zoológico de Brasília é a ariranha. Aqui, a Diretoria de Mamífero oferece as condições necessárias para reprodução do animal em cativeiro, de acordo com o plano de manejo da espécie. A ariranha é encontrada no Brasil, Peru, Bolívia, Paraguai e Venezuela. Ela pode chegar a 1,8 metro e pesar até 32 kg. As fêmeas têm apenas uma gestação por ano e a duração é de cerca de 70 dias.

Hoje, o Zoológico da capital tem um macho e uma fêmea. O macho veio da Alemanha, em 2019, para fazer parte do Plano de Manejo e Conservação; e a fêmea, Sarae, chegou em 2022. Ela foi transferida do Zoológico de São Paulo, também dentro da expectativa de reprodução. “A ideia é que se reproduzam e os filhotes sigam para outros zoológicos para se reproduzirem com outros animais”, previu Eduardo Santos. De acordo com o biólogo, o que levou a ariranha à condição de animal em extinção é o fato de ser um mamífero que se alimenta de peixes e, por isso, é exterminado por pescadores, além da perda de seu habitat.

Ararajuba

A bela ararajuba, que chegou a ser apontada como ideal para ser mascote do Brasil nas Olimpíadas por causa de suas penas amarelas e verdes, exatamente nas tonalidades da bandeira do Brasil, também é um animal em extinção na categoria “de vulnerabilidade”.

A chefe do Núcleo de Aves do Zoológico de Brasília, Rany Karine dos Santos, explicou que a ararajuba é considerada hoje como vulnerável devido ao desmatamento e ao tráfico de aves. “Como ela é endêmica do Norte do País, o desmatamento e a urbanização em grande escala na região contribuem para sua extinção”, disse Rany.

Os dois indivíduos existentes hoje no Zoológico de Brasília são machos e chegaram em 2013. Não há, portanto, uma fêmea que possibilite a reprodução. “Conseguimos esses indivíduos por meio de apreensões. Nós temos interesse em receber outros exemplares de ararajuba mas, dentre os nossos contatos em outros zoológicos, não há disponibilidade de animais para permuta”, explicou a chefe do Núcleo do Setor de Aves. A expectativa de vida da ararajuba na natureza é de 30 anos. “Como o impacto do desmatamento é grande, reflete na população desses animais”, previu. O Zoológico de Brasília segue cuidando da melhor forma possível das espécies ameaçadas para que as pessoas possam vê-las e aprender a importância de respeitar o direito de existir desses animais.

Por Agência Brasília

Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília / Reprodução Agência Brasília