Arquivo Público do Distrito Federal mantém memórias valiosas de Brasília

O Arquivo Público do DF guarda a memória deixada por aqueles que projetaram e idealizaram a capital federal, começando pela Missão Cruls, de 1892, que originou a demarcação do quadradinho

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Com verdadeiras relíquias no acervo, o Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF) mantém vivas memórias valiosas de Brasília. Criado em 14 de março de 1985, estão sob sua responsabilidade tesouros e histórias de quem projetou e idealizou a cidade. São manuscritos de Oscar Niemayer, Lucio Costa, Israel Pinheiro, Bernardo Sayão — um legado que inclui o manuscrito do presidente Juscelino Kubitschek declarando Lucio Costa vencedor do concurso que daria início aos primeiros traços de Brasília. Tudo está à disposição do público em geral, pesquisadores, estudantes, professores, historiadores e imprensa.

Vinculado à Casa Civil do DF, o órgão tem a responsabilidade de planejar e coordenar o recolhimento de documentos produzidos e acumulados pelo Poder Executivo da capital brasileira, assim de particulares, que sejam de interesse público. Uma vez integrados ao acervo, sua missão é preservar esse material e colocá-lo à disposição da sociedade.

O espaço reúne, principalmente, a documentação que retrata a história da capital federal, desde o período da interiorização, previsto na Constituição de 1892, passando pela construção e a inauguração, chegando aos dias atuais. Há documentos textuais, audiovisuais e cartográficos.

À frente do Arquivo Público do DF há três anos, o superintendente Adalberto Scigliano destaca a atuação incansável de cada servidor na preservação da memória de Brasília e a dedicação que faz com que cada visitante se apaixone ainda mais pela história da capital Federal. Ele destaca que a parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP-DF) tem um papel relevante na descrição

do acervo digital que, no futuro, vai beneficiar os interessados, por meio do detalhamento das imagens.

“A cada dia, estamos nos reinventando, trabalhando e aprimorando conhecimentos. Nosso objetivo é eternizar as pessoas e os fatos que contribuíram para a consolidação da capital do Brasil. Queremos criar uma cultura de valorização e preservação da memória na sociedade de Brasília sobre todo este tesouro que temos guardado à disposição de quem desejar conhecê-lo e apreciá-lo”, enfatiza.

Para o historiador Elias Manoel da Silva, que trabalha no órgão há 20 anos, todos os sonhos daqueles que idealizaram a capital do país estão bem protegidos. “Enquanto Arquivo Público, este local é a memória viva da epopeia que foi a construção da nova capital. Temos aqui um verdadeiro tesouro, histórias, sonhos, muito trabalho e ideias de trabalhadores que foram tão importantes para a construção da nossa cidade”, avalia.

Relíquias

Nas dezenas de estantes do espaço, podem ser encontradas raridades, como o caderno da Missão Cruls, de 1892, com o primeiro esboço do quadrilátero que hoje é o DF, a primeira edição do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), publicada em 1960; a partitura original da composição da Sinfonia do Alvorada, assinada por Antônio Carlos Jobim; a primeira edição dos classificados da lista telefônica do DF contendo o número da casa de Israel Pinheiro, primeiro presidente da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), companhia que também tem seus documentos sob a guarda do Arquivo Público.

As imagens audiovisuais, cartográficas e esboços, desde o início da região chamada Planalto Central, incluem mapas originais dos principais monumentos de Brasília. Há também plantas de prédios que compõem o patrimônio da cidade. Entre elas, está a do Teatro Nacional, que subsidiou o planejamento da reforma do espaço.

Outras relíquias são a carta de despedida do presidente Juscelino Kubitschek dando adeus ao seu mandato, em 1961, o primeiro mapa do Brasil e a planta de uma casa que seria construída no Lago Sul para o presidente Juscelino Kubitschek. 

Ao todo, o ArPDF abriga 21 acervos de origem pública e 23 oriundos de particulares — o órgão pode aceitar material privado, quando for considerado relevante para a história do DF.

O novo centro de pesquisa, uma sala de cinema, e a expansão do espaço para receber mais documentos estão em andamento. O local também oferece ao público o Projeto Pioneiros, em parceria com a TV Câmara Distrital. A iniciativa consiste em entrevistas com os protagonistas da história de Brasília, pessoas que conviveram desde a construção da capital até a década de 1960. O ArPDF tem ainda parceria com o Google Arts And Culture, com cinco exposições sobre Brasília, que podem ser acessadas de qualquer lugar do mundo. Basta entrar no site artsandculture.google.com/ e digitar na busca Arquivo Público do Distrito Federal.

Por Laezia Bezerra do Correio Braziliense

Foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press / Reprodução Correio Braziliense