Ação de combate à dengue em Ceilândia tem agentes na rua e fumacê

Cidade é a que apresentou o maior número de casos prováveis no Distrito Federal. Regiões com maior incidência de registros confirmados estão recebendo atenção especial das equipes

0
8

Neste período de chuvas, as equipes da Diretoria de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) têm intensificado suas atividades. Em Ceilândia, a região administrativa com o maior número de casos prováveis de dengue no DF, 91 agentes percorrem diariamente as residências, orientando os moradores e realizando ações de manejo, como a eliminação de depósitos de água ou a aplicação de larvicida. Além disso, uma força-tarefa dos carros do fumacê tem percorrido as regiões administrativas, aplicando inseticida nas ruas.

Nesta terça-feira (9), os moradores da QNO 5, no Setor O, receberam a visita dos agentes. Maria Aparecida de Mello, de 69 anos, moradora do conjunto H, estava pronta para receber as equipes. “Qualquer folhinha e sacolinha representam um perigo. Eles sempre orientam sobre os cuidados com as plantas, em não acumular água, colocam comprimidos nos ralos e na caixa d’água. Aqui em casa eu evito até plantas, só tenho de plástico. O trabalho das equipes do GDF está excelente”, conta. “Meu marido teve dengue no ano passado porque os vizinhos não estavam cuidando também”, completa.

Queila Cristina Mendes, Chefe do Núcleo de Vigilância Ambiental de Ceilândia, destaca a importância do trabalho dos agentes no combate ao mosquito Aedes aegypti. “Estamos realizando visitas domiciliares diárias. Eles entram nas casas e oferecem orientações, como a necessidade de as plantas não acumularem água, a presença de um pratinho com areia se houver, e a tampa adequada para caixas d’água, baldes e latas. É crucial abrir as portas e receber os agentes, essa é a melhor forma de combater o mosquito, com a ajuda da população”, afirma a supervisora.

Luciana dos Santos Paz, 45 anos, foi outra moradora que abriu as portas para receber os servidores da Saúde e destacou a importância do trabalho conjunto dos vizinhos para evitar a doença. “Não adianta eu cuidar se meu vizinho não cuidar. É um esforço coletivo de todos, todos precisam se prevenir. Aqui em casa eu cuido, mas há dois meses minha mãe teve dengue e ficou muito mal”, acredita a massoterapeuta.

“É um esforço conjunto, Administração, Núcleo de Vigilância e, principalmente, a população, pois 80% dos focos estão dentro das casas dos moradores”, reforça Queila Mendes. É fundamental permitir as visitas de rotina. Para facilitar o reconhecimento pela população, os servidores estão sempre uniformizados, usando coletes com a logomarca do GDF e o brasão do Distrito Federal, além do crachá funcional.

Mobilização diária

As equipes responsáveis pelo controle químico e biológico, utilizando o fumacê, estão realizando mutirões diários. Diariamente, os sete veículos aplicam o inseticida em pelo menos duas cidades específicas, visando reduzir ao máximo a proliferação do mosquito transmissor da dengue, zika vírus, chikungunya e febre amarela.

Até o dia 13 de janeiro, o inseticida de ultrabaixo volume (UBV) será aplicado em Brazlândia, Taguatinga, Gama, Ceilândia, Asa Sul, Lago Sul e Samambaia.

“Elaboramos um itinerário com base nas solicitações das administrações regionais, postos de saúde e hospitais das cidades que mais registraram casos prováveis ou confirmados de dengue. Essa estratégia é a última válvula de escape para eliminar as fêmeas transmissoras do vírus”, explica o coordenador de controle químico e biológico da Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde do DF, Reginaldo Braga.

Números no DF

Com relação à situação epidemiológica da dengue nas regiões administrativas, Ceilândia apresentou o maior número de casos prováveis (5.280), seguida de Samambaia (3.518), Recanto das Emas (2.566), Brazlândia (2.545) e Taguatinga (2.169). Essas cinco regiões concentraram 41,7% dos casos prováveis de dengue do DF.

Em 2023, até a última semana do ano, de acordo com o Boletim Epidemiológico 47, foram notificados 52.864 casos suspeitos da doença, dos quais 40.934 eram prováveis. Com relação à situação epidemiológica nas Regiões de Saúde, a Sudoeste apresentou o maior número de ocorrências prováveis (10.095) – quase um quarto de todos os registros distritais.

Por Josiane Borges da Agência Brasília

Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília / Reprodução Agência Brasília