Alunas da UnB são classificadas para competição na Irlanda

O campeonato empresarial verifica a capacidade de resolução de problemas e visão empresarial dos estudantes

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O Brasil fará sua primeira participação no campeonato NIBS Worldwide Case Competition, em Dublin, na Irlanda. A competição verifica a capacidade de resolução de problemas e visão empresarial de estudantes de graduação de todo o mundo. O país será representado por quatro alunas de diferentes períodos do curso de administração da Universidade de Brasília (UnB), que disputarão a final do campeonato entre 22 e 27 de março de 2024.

Na última etapa da competição, serão apresentados casos empresariais diversos a 16 grupos participantes, que terão um tempo limitado para analisar a situação-problema e sugerir soluções aos gestores. A equipe brasileira Ipê Consulting é composta por Ana Loise Carneiro, Beatriz Santos, Joana Afonso e Sarah Alkimim, orientadas pelos professores Bruno Honorato e Hebert Kimura.

Ana Loise, 20 anos, comenta sobre a importância de um time inteiramente feminino representar Brasília e o Brasil na Irlanda: “Isso fomenta a diversidade e o empoderamento feminino. A UnB carrega muito essa bandeira e é muito bom que essa imagem esteja sendo expandida, na prática, pelo nosso time. São quatro mulheres, isso diz muito sobre liderança feminina.”

Beatriz, 20 anos, explica que a inspiração para o nome da equipe, obrigatório para a participação, remete à árvore típica do cerrado, mas guarda um significado mais profundo: “O nome que escolhemos foi para representar, além do Brasil, nossa cidade Brasília. O ipê é uma árvore que colore o céu de Brasília, em uma determinada época do ano, com diversas cores. Então, ele mostra muita diversidade também, que é algo que a gente busca na nossa equipe.”

Carreira internacional

Ana Loise conta que participar da competição era a oportunidade perfeita para realizar um desejo que sempre teve, viajar para o exterior. “Sempre tive interesse em sair do país e eu gostaria que fosse pela UnB. Como eu quero muito trabalhar fora do Brasil, vai ser algo bem visto no currículo. Vivenciar essa experiência mundo afora, focada no mundo business, onde quero atuar, ver como tudo funciona na prática… Acho que, como um todo, isso vai estimular muito o meu crescimento profissional”, diz.

Para Sarah, 24 anos, a competição é uma oportunidade para aprimorar habilidades e conhecimentos como inglês, negociação e networking. “Tudo isso é muito importante na administração e ainda mais no ramo que eu quero seguir, de negócios internacionais”, explica.

Expandir os horizontes era o que Joana, 22 anos, também buscava. A estudante conta que sempre teve em mente vivenciar sua graduação ao máximo: “Decidi que não queria limitar a minha experiência universitária a mais do mesmo, queria vivenciar outras oportunidades que a UnB pudesse me oferecer e, entre elas, surgiu o NIBS.”

“Nós, na UnB, visamos isso, a qualificação de profissionais, com oportunidades cada vez maiores de internacionalização. Nosso objetivo é inserir esses alunos no contexto global, para que eles possam representar a instituição e o Brasil”, afirma o orientador da equipe Bruno Honorato, professor do departamento de Administração da UnB.

Seleção

O processo que selecionou as estudantes para o campeonato começou dentro da própria universidade. Os professores do Departamento de Administração divulgaram a NIBS Competition entre os alunos. Então, os interessados realizaram uma prova, resolveram um caso administrativo em grupo e, ao final, passaram por uma entrevista individual. As alunas com as quatro maiores notas na seleção formaram o time que passaria a representar a UnB.

Assim que foram selecionadas, as garotas iniciaram sua preparação para a fase qualificatória, que ocorreu virtualmente em novembro de 2023. A organização do NIBS apresentou um caso empresarial real, com problemas a serem resolvidos por todas as equipes, sem nenhum acesso à internet. Todas as informações eram disponibilizadas em inglês.

Dentre as 100 universidades participantes, a equipe das jovens brasilienses ficou entre as 16 melhores, resultado que as classificou para a etapa final, em Dublin. “O aluno brasileiro lá fora mostra que somos qualificados e capazes, como qualquer outro profissional internacional”, se orgulha o professor Bruno.

Além de fazer bonito e mostrar todo potencial da ciência brasileira, as estudantes também terminaram a primeira etapa da seleção com mais bagagem, adquirida com o intercâmbio cultural. Joana relata que, durante a preparação para a competição, aprendeu coisas que vai levar para toda sua vida profissional, “Em termos de teoria, de experiência, de estar em contato com casos reais de empresas reais e estar treinando o business e a conversação em inglês.”

Para ela, poder participar de uma competição de grande dimensão como esta é a prova real da eficácia do ensino público no país, muitas vezes invisibilizado. “Essa oportunidade significa muitas coisas, em muitas dimensões. Acho que numa dimensão educacional, é a prova de que a universidade pública tem um ensino de qualidade, que oferece muitas oportunidades únicas para os seus alunos”, defende a estudante.

Próximos passos

Agora, a equipe brasileira se prepara para os próximos estágios da competição de forma árdua, com aulas, inclusive, durante as férias. Com expectativas altas, Sarah relata que ela e as colegas treinam diariamente, com o mesmo objetivo em mente: o primeiro lugar. “Com o tempo, vamos vendo no que cada uma é boa e a gente percebe que as nossas características se complementam. Por isso que a gente forma um grupo tão bom, temos muita chance de ganhar”, aposta.

Na visão de Beatriz, a equipe traz um olhar diferente para os negócios por ser composta só por mulheres. “Nessas competições, majoritariamente, as equipes são masculinas ou mistas, então equipes 100% femininas são raras. Somos a primeira equipe brasileira formada apenas por mulheres”, relata.

Financiamento

Mesmo com um grande potencial, o grupo ainda não conseguiu arrecadar a quantia necessária para que a viagem ocorra e procura patrocinadores que possam fazer com que essa oportunidade única não seja desperdiçada. As estudantes só poderão disputar as próximas etapas decisivas se conseguirem arcar com os custos da viagem, em torno de R$ 65 mil. Apenas metade do valor foi arrecadado. “A gente conseguiu um apoio da UnB, mas ainda não temos a quantia necessária”, conta Sarah.

Empresas interessadas no patrocínio podem entrar em contato pelo e-mail ipeconsulting.br@gmail.com. É possível fazer doações em qualquer valor no Pix, usando como chave o mesmo endereço de e-mail.

Para saber mais sobre a rotina de estudos e preparação da Ipê Consulting, é possível acompanhar a jornada das garotas pelo perfil no Instagram @ipeconsulting.unb.

*Estagiária sob a supervisão de Priscila Crispi

Por Sofia Thomas do Correio Braziliense

Foto: Arquivo pessoal / Reprodução Correio Braziliense