Ele vai nos cheesecakes, nas tortas, nas panquecas, nas vitaminas e até em molhos sofisticados para carnes. O mirtilo só é um fruto pequeno, mas garante uma explosão de sabor levemente adocicado e ácido. A produção se concentra no Sul do país, mas ganhou espaço na capital federal, região estratégica para os produtores rurais das famosas frutinhas azul-arroxeadas.
Em 2021, a advogada Leandra Alvarenga, 45 anos, tomou uma decisão revolucionária. Deixou os processos em busca de um propósito de vida: inovar a agricultura no Distrito Federal e desenvolver o turismo rural na região. Em Sobradinho, próximo à Rota do Cavalo, plantou o que se tornaria o azul do Cerrado. Nasceu a Cerrado Blue, iniciativa dela, de Evaldo Alvarenga, 47, e Zuilene Lima Soares, 46.
Aproximar as pessoas do campo é um dos propósitos do negócio frutífero. Essa mudança de visão, alinhada às oportunidades e aos desafios da região, foi decisiva para estruturar o projeto com propósito, destaca ela. A partir daí, conta a produtora, o foco deixou de ser apenas o “produzir” e tornou-se “comunicar”, “ensinar” e “inspirar”, conectando o campo à cidade e criando um modelo mais completo e sustentável de negócio.
Estar em Brasília integrava a missão desde o começo. “Estar aqui significa atuar em uma região estratégica, que conecta o urbano ao rural, permitindo desenvolver um modelo de produção de mirtilos adaptado ao Cerrado e, ao mesmo tempo, criar um espaço de vivência e educação”, destacou Leandra.
É nesse quadrado planejado que a Cerrado Blue vislumbra a oportunidade de impactar novas gerações com a promoção do turismo rural e o fortalecimento da agricultura familiar e sustentável. A produtora ressalta que a empresa não se limita apenas a agroindústria, mas é um elo entre conhecimento, inovação e consciência ambiental.
Entre o rural e o urbano
De acordo com Leandra, o objetivo da Cerrado Blue era conectar as pessoas ao campo, mesmo em um ambiente predominantemente rural. A produtora esteve diante de um impasse: ao mesmo tempo que havia curiosidade do público, predominava um distanciamento das pessoas em relação à origem dos alimentos.
“Essa percepção foi decisiva para fortalecer o propósito da Cerrado Blue de não apenas produzir mirtilos de forma inovadora no Cerrado, mas também abrir as portas da propriedade para experiências que aproximem as pessoas da agricultura. Ver o interesse dos visitantes, especialmente das novas gerações, em entender o cultivo, o ciclo da fruta e a importância da sustentabilidade foi algo que marcou profundamente essa trajetória e deu ainda mais sentido ao projeto. O entrave foi decisivo”, declarou.
O espírito de transformar ideia em realidade tem ligação com a construção de Brasília, afirma a produtora. As obras na capital serviram como fonte de inspiração, uma vez que a cidade nasceu fruto de um sonho ousado, concretizado em meio a desafios. “Assim como Brasília foi planejada para ser símbolo de inovação e desenvolvimento, o projeto também busca inovar ao introduzir o cultivo de mirtilo no Cerrado e criar um espaço que une produção, conhecimento e experiência.”
O futuro
Mas o que esperar, nos próximos anos, de uma empresa tão promissora? E qual o conselho para as próximas gerações de brasilienses? A produtora almeja tornar a Cerrado Blue consolidada como referência em inovação agrícola no Cerrado, com uma agroindústria reconhecida pela excelência e alta qualidade dos produtos derivados do mirtilo, aliada a um dos principais destinos de turismo rural da região. Leandra frisa: não só pela qualidade dos mirtilos, mas pela experiência completa, incluindo produção, educação e sustentabilidade.
“A expectativa é que a Cerrado Blue seja um exemplo de como é possível empreender no agro de forma moderna, conectando tecnologia, conhecimento e propósito, contribuindo para o desenvolvimento local e para uma nova visão sobre a produção de alimentos na região”, afirma.
Como produtora rural que deixou a cidade para morar no campo e entendeu que a agricultura é uma plataforma de inovação, educação e conexão com as pessoas, Leandra aconselha as próximas gerações. “Não perder a conexão com a origem dos alimentos e com o território onde vivem. Mesmo em uma cidade planejada e urbana, existe um enorme potencial no campo ao redor, seja para empreender, inovar ou simplesmente compreender melhor os ciclos naturais e a importância da sustentabilidade.”
Por Resenha de Brasília
Fonte Correio Braziliense
Foto: Ed Alves/CB/DA.Press












