Um grupo de senadores dos Estados Unidos acusou o governo de Donald Trump de promover uma campanha de “interferência e desestabilização” no Brasil e cobrou do secretário de Estado, Marco Rubio, um compromisso de que Washington reconhecerá o resultado das eleições presidenciais brasileiras de outubro.
Em carta enviada a Rubio nesta segunda-feira (28/9), os senadores Jeanne Shaheen, Peter Welch e Tim Kaine afirmam estar preocupados com ações da Casa Branca que, na avaliação deles, ameaçam a relação estratégica entre os dois países e colocam em risco a democracia brasileira às vésperas da eleição.
Os parlamentares sustentam que, desde o início do segundo mandato de Trump, autoridades norte-americanas passaram a atuar em uma “campanha de interferência e desestabilização” no país. Como exemplo, citam as tarifas e sanções impostas em 2025 durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na avaliação dos senadores, as medidas foram utilizadas para tentar influenciar o desfecho do processo contra Bolsonaro. O documento também menciona a nomeação de Darren Beattie para atuar como conselheiro do Departamento de Estado em assuntos relacionados ao Brasil e a abertura de uma investigação comercial seguida de novas tarifas contra produtos brasileiros.
O principal alerta, porém, mira diretamente a eleição deste ano. Os senadores citam o encontro entre Trump e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no Salão Oval como um dos episódios que, segundo eles, demonstram a disposição do governo norte-americano de se inserir na disputa eleitoral brasileira.
“Ações mais recentes do governo apontam para um esforço de interferir e potencialmente minar as eleições gerais do Brasil em outubro”, dizem os parlamentares. No documento, eles afirmam ainda que a reunião de Flávio com Trump ocorreu enquanto o senador buscava contornar uma crise política interna.
A crítica ocorre em meio a uma ofensiva de parlamentares norte-americanos contra a política de Trump para o Brasil. Na semana passada, um grupo formado por 30 deputados democratas e pelo senador independente Bernie Sanders também enviou uma carta a Rubio questionando medidas do governo norte-americano em relação à eleição brasileira.
Na nova manifestação, Shaheen, Welch e Kaine fazem uma comparação com a postura adotada por Washington na eleição de 2022. Eles lembram que os Estados Unidos reconheceram rapidamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e, após os ataques de 8 de janeiro de 2023, manifestaram apoio às instituições brasileiras.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Timothy A. Clary/AFP












