A participação do governo de Donald Trump na facilitação da fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após a derrota nas eleições presidenciais, provoca questionamentos no Congresso dos Estados Unidos e pressiona o chefe de Estado norte-americano.
Em carta encaminhada ao secretário de Estado, Marco Rubio, congressistas americanos exigiram explicações sobre a fuga de Flávio do Brasil com a participação de autoridades da Casa Branca. O parlamentar, derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições no domingo, estava proibido de deixar o país — conforme decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base em inquérito que investiga suposta lavagem de dinheiro do senador e do advogado Willer Tomaz.
O grupo norte-americano cobra prestação de contas imediata sobre o papel do Departamento de Estado na saída de Flávio do Brasil. O documento menciona informações publicadas pelo jornal The New York Times, segundo as quais o jatinho que levou o senador da Argentina para os Estados Unidos foi providenciado por Jason Miller, um dos principais conselheiros de Trump. Também ressalta que o parlamentar teria deixado o país após descumprir uma determinação judicial para entregar seus passaportes.
“O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo em entender se recursos diplomáticos e de imigração dos Estados Unidos foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias”, afirma um trecho do documento.
A principal preocupação dos congressistas é a possibilidade de integrantes do governo Trump terem autorizado a concessão de vistos a Flávio e a seus familiares, mesmo após tomarem conhecimento das restrições impostas pela Justiça brasileira. Segundo a correspondência, um funcionário de alto escalão do Departamento de Estado teria assegurado a emissão dos documentos e permitido a entrada do candidato derrotado e de seus parentes nos Estados Unidos.
Os parlamentares cobram a identificação dos responsáveis pela eventual autorização e querem esclarecer quando a Embaixada americana em Brasília e o Departamento de Estado foram informados das determinações do STF. Também questionam se houve análise prévia da legalidade da viagem e conhecimento do descumprimento da ordem judicial.
A Polícia Federal informou que Flávio foi intimado, em 26 de outubro, a entregar os passaportes comum e diplomático, e de outra nacionalidade, se tivesse, no prazo de 24 horas, o que não ocorreu. A corporação, então, cancelou os documentos brasileiros dele e inseriu um alerta migratório no sistema de controle de fronteiras.
Procedimentos migratórios
A investigação parlamentar sobre uma possível assistência americana alcança também os bastidores da viagem. Os congressistas levantam a hipótese de contatos entre funcionários da Casa Branca, diplomatas e representantes de agências federais com Flávio, seus familiares, advogados e assessores políticos. Entre os pontos sob questionamento estão a organização de voos, emissão de documentos, transporte, acesso a aeroportos e procedimentos migratórios.
Outra frente envolve uma eventual articulação do Departamento de Estado com órgãos de segurança e imigração, como o Departamento de Segurança Interna e a agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras. Os parlamentares também querem esclarecer se o Departamento de Justiça foi consultado sobre as implicações de facilitar a entrada de um político estrangeiro que teria deixado seu país em violação a uma ordem judicial.
O documento é assinado por parlamentares do Partido Democrata, que faz oposição a Trump. Entre eles, há integrantes da Comissão de Relações Exteriores do Congresso dos EUA.
O Departamento de Estado tem duas semanas para responder à carta, com prazo até 13 de novembro. “A transparência é particularmente importante quando os acontecimentos relatados envolvem um processo judicial estrangeiro, relações bilaterais sensíveis e a aplicação consistente das políticas de imigração e diplomacia dos EUA”, argumentam os congressistas.
Mobilização nas redes
A presença de Flávio nos EUA também começa a enfrentar resistência nas redes sociais. Nos perfis de Trump e de órgãos locais há uma mobilização de cidadãos norte-americanos contrários à permanência do senador no país. Entre os comentários estão postagens como “EUA expulsa imigrantes por problemas no visto, mas aceita criminosos foragidos”.
A investida nas redes sociais chama a atenção, principalmente, pela proximidade dos midterms — eleições de meio de mandato —, que apontam a possibilidade de republicanos perderem cadeiras no Congresso para os democratas. (Com Agência Estado)
Fonte Correio Braziliense
Foto: Brendan Smialowski/AFP











