Para atravessar período de estiagem, DF reforça ações contra queimadas

Ao entrar no período mais crítico da temporada de incêndios, a combinação entre baixa umidade do ar, vegetação seca e temperaturas elevadas aumenta o risco de fogo em áreas urbanas e rurais

Com a intensificação da seca, o Distrito Federal entra no período de maior risco para incêndios florestais. Levantamento obtido pelo Correio junto ao CBMDF mostra que, apenas nos primeiros seis dias de julho, foram registradas 164 ocorrências de queimadas, elevando para 1.775 o total de casos em 2026. Enquanto agosto e setembro se aproximam, meses historicamente mais críticos de estiagem, bombeiros e órgãos ambientais reforçam as ações de prevenção e combate para evitar desastres.

Em 2024, o DF contabilizou 8.545 incêndios em vegetação, com os maiores índices em agosto, quando foram registrados 2.065 casos, e setembro, que fechou com 2.851 ocorrências. Já em 2025, houve redução para 6.488 registros, cerca de 24% a menos. Ainda assim, agosto (1.826) e setembro (1.361) permaneceram como os meses mais críticos.

Para enfrentar esse período, o CBMDF mantém, entre abril e novembro, a Operação Verde Vivo, que intensifica os esforços operacionais entre maio e outubro, durante toda a estiagem. Apesar de o número ainda estar distante dos registros dos anos anteriores, o capitão Jean Charles, do CBMDF, destaca que o planejamento começa meses antes da chegada da seca.

“Todos os anos, desde 1999, é desenvolvida a Operação Verde Vivo, para prevenção junto com moradores de chácaras e áreas rurais sobre como proceder em princípios de incêndio e como evitá-los. Parte do nosso efetivo fica exclusivo para trabalhar nessa operação. Existe também a preparação na capacitação dos nossos militares em abril. Queimadas no Brasil são proibidas, a não ser que sejam queimas prescritas com autorização”, explica.

Dependendo da fase da operação, até mil bombeiros podem atuar exclusivamente no combate aos incêndios florestais. A estrutura inclui 35 viaturas especializadas, dois aviões Air Tractor, helicóptero, drones, monitoramento por satélite e câmeras instaladas na Torre Digital.

As regiões que tradicionalmente registram maior número de ocorrências são Gama, Samambaia, Brazlândia, Santa Maria, Planaltina e São Sebastião, devido à grande extensão de vegetação, à proximidade com unidades de conservação e à intensa circulação de pessoas durante a seca. Para reduzir o tempo de resposta, a Operação Verde Vivo mantém postos nessas localidades.

Prevenção 

Além do combate direto aos incêndios, uma das principais estratégias adotadas pelos órgãos ambientais é impedir que o fogo encontre combustível para se espalhar.

Ontem, equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizaram na Floresta Nacional de Brasília a técnica do aceiro, que consiste na abertura de faixas sem vegetação que funcionam como barreiras naturais, dificultando o avanço das chamas.

Segundo o ICMBio, esses corredores podem ser construídos manualmente, com máquinas ou até mesmo por meio de queimadas controladas, retirando previamente a vegetação de áreas planejadas.

Outra medida adotada é a chamada queima prescrita, realizada desde março e intensificada em maio. A técnica consiste na aplicação controlada do fogo, sob condições climáticas favoráveis e com planejamento técnico, para reduzir o excesso de material vegetal seco, diminuindo a intensidade de futuros incêndios. A prática também ajuda a criar rotas de fuga para a fauna silvestre durante eventuais queimadas.

O superintendente de Unidades de Conservação, Biodiversidade e Água do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Marcos João da Cunha, afirma que o trabalho preventivo é essencial para reduzir os danos durante a estiagem.

“Esse ano, implementamos as nossas queimas prescritas, que são feitas em áreas que já têm um histórico de queimadas. Vamos antes do período da seca, queimamos essa área e fazemos uma limpeza para ter menos material combustível e menos incêndio florestal. Começamos em maio, ainda no período de chuva, a fazer essa prevenção nas unidades de conservação”, afirma.

A reportagem do Correio esteve na Floresta Distrital dos Pinheiros, no Paranoá, onde um incêndio atingiu parte da vegetação no último sábado. Segundo o Ibram, após a retirada de pinheiros da área, galhos e restos vegetais permaneceram no local. O material acabou incendiado, permitindo que as chamas se espalhassem rapidamente.

Para Marcos João da Cunha, boa parte dos incêndios registrados no DF tem origem humana. “Geralmente, é incêndio criminoso. Por isso, fazemos todo esse trabalho anterior de prevenção. São 84 unidades de conservação que são cuidadas. Com a seca e o calor, o fogo é intensificado. Então, a recomendação é não queimar lixo, absolutamente nada, pois pode se transformar em um transtorno”.

O especialista acrescenta que, a partir deste mês, as brigadas ambientais permanecem em prontidão permanente para responder rapidamente aos focos de incêndio.

Crime

Além dos prejuízos ambientais, provocar queimadas pode resultar em responsabilização criminal. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) lembra que provocar incêndio em floresta ou em qualquer outra forma de vegetação é crime, conforme prevê o artigo 41 da Lei nº 9.605/1998, a Lei de Crimes Ambientais.

A legislação estabelece pena de reclusão de dois a quatro anos, além de multa, para quem provocar incêndios de forma dolosa. Se o crime ocorrer por culpa, a pena é de detenção de seis meses a um ano, também com aplicação de multa.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press