DF é primeiro lugar de pacientes autorizados a usarem cannabis medicinal

Segundo a especialista em mercado, o estímulo e o desenvolvimento da cannabis pode dar uma qualidade de vida maior para os brasileiros

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O Distrito Federal, segundo a Associação Brasileira de Indústria de Canabinoides (BRCANN), é a unidade federativa com mais pacientes autorizados a utilizar cannabis medicinal. De acordo com o levantamento, a cada 100 mil habitantes, 121,4 dos moradores da capital federal têm autorização para uso do medicamento. Esse número é mais que o dobro do segundo colocado, o Rio de Janeiro, com 69,9/100 mil habitantes.

São Paulo (62,4/100 mil habitantes) e Goiás (45,3/100 mil habitantes) também figuram entre os primeiros colocados. Enquanto isso, os estados do Norte e Nordeste são os que possuem menos pacientes utilizando a cannabis medicinal.

Em números absolutos, o DF é o quinto estado com mais autorizações de importação, com 3.756 pedidos aceitos em 2021. O primeiro lugar fica com São Paulo (29.127), seguido do Rio de Janeiro (12.101).

Segundo Juliana Guimarães, especialista em mercado cannabis, “o aumento no número de pacientes autorizados a utilizar a cannabis medicinal no Distrito Federal pode estar relacionado a uma maior conscientização e informação sobre as propriedades terapêuticas da planta, além de um possível avanço no acesso aos tratamentos com a substância”.

Desde 2015, a Anvisa já autorizou a comercialização nas farmácias de 15 produtos à base de cannabis.

Projeto de lei no DF

No início do ano começou a correr um projeto de lei (PL), onde pacientes do Distrito Federal que tenham prescrição médica para realizar tratamento à base de cannabis podem ganhar permissão para o cultivo e o processamento da planta. A proposta é do deputado distrital Gabriel Magno (PT). A lei busca garantir o direito do paciente para fazer o uso da terapia, além de expandir as pesquisas referentes à planta.

No projeto de lei, o parlamentar destaca que as associações que receberem autorização para o plantio devem contar, obrigatoriamente, com um profissional médico e farmacêutico para “indicação, acompanhamento e tratamento dos pacientes associados”. Essas entidades poderiam, ainda, realizar convênios e parcerias com instituições de ensino e pesquisas, “objetivando apoio para análise dos remédios, com a finalidade de garantir a padronização e segurança para o tratamento dos pacientes”.

Segundo Juliana, o estímulo e o desenvolvimento da cannabis pode dar uma qualidade de vida maior para os brasileiros. “O Brasil é expoente em produções científicas, então é importante que as pessoas tenham acesso e estudem é o caminho para que sejam possíveis novas descobertas, assim podendo contribuir para uma qualidade de vida maior para as pessoas”, explica.

A especialista ainda avalia positivamente o fato da cannabis ganhar espaço nos parlamentos. “O simples fato deste assunto estar sendo debatido novamente nos parlamentos, seja no nível distrital ou federal, pode facilitar muito para novas descobertas e novos estudos com a planta”, completa.

Capital tem o primeiro Dispensário do país

O primeiro dispensário do país está localizado em Brasília. A ideia é atender presencialmente todas as pessoas interessadas no lifestyle, em tratamentos médicos e terapêuticos com a cannabis, e no uso pessoal de produtos relacionados ao mercado canábico.

“A gente tem uma área de prestação de serviços ligada à cannabis medicinal, porque hoje já existem vários caminhos lícitos para acessar esse tipo de tratamento, com produtos à base de cannabis no Brasil. E o nosso time apresenta essas opções para as pessoas, para que elas tenham o acesso ao tratamento de forma mais fácil, fazendo isso conforme é o mercado regulado hoje”, explica Juliana Guimarães, que também é sócio-fundadora do ODispensário.

Por Redação do Jornal de Brasília

Foto: Mary Leal/Ascom-SEEDF / Reprodução Jornal de Brasília