Projetos tecnológicos de estudantes do DF solucionam problemas cotidianos

Mostra de ciência da Escola Técnica de Brasília premiou trabalhos de alunos. Entre os vencedores, está uma cadeira de rodas automatizada a custo acessível, uma lixeira inteligente e um monitor de energia elétrica

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Uma cadeira de rodas automatizada, uma lixeira inteligente e um monitor de picos de energia. Esses foram os três primeiros colocados na 45ª ETB Mix, uma mostra de ciência e tecnologia que ocorreu na última semana na Escola Técnica de Brasília (ETB), localizada em Taguatinga.

A mostra ocorre todos os anos no espaço, que geralmente expõe trabalhos de conclusão dos cursos ministrados na unidade, de eletrônica, eletrotécnica e informática. De acordo com o professor de automação e robótica da escola, Rogério Antônio de Lima, o objetivo é integrar projetos úteis e trabalhar na prática.

“O objetivo é dar ferramentas para que eles desenvolvam e cresçam. Já tem muitos alunos nossos que saíram daqui e montaram empresas, tem gente que já está exportando componentes. Então, além de ajudar os alunos, a gente ajuda a cidade também”, declara Rogério.

O professor também ressalta a importância do papel do ensino público na formação dos alunos e na acessibilidade para a comunidade. “A gente fala muito de ensino privado e a gente está aqui com um ensino público de excelência. Geralmente as empresas e as escolas públicas são quem mais se destacam em pesquisa e mais retornam para a sociedade. A garotada está aí com um ensino gratuito, fazendo excelência com o resultado”, pontua.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do DF, Leonardo Reisman, afirma que as escolas técnicas são um modelo de educação aplicada que surge para resolver as demandas sociais e que há cada vez mais projetos de dinâmica com avanço de economia digital, dados e inteligência artificial preocupados com a sociedade e o meio ambiente.

“A história do desenvolvimento econômico dos grandes polos de inovação ao redor do mundo vem, claro, da universidade, dos investidores desses projetos, do governo, mas, fundamentalmente, dos empreendedores. Então, esse incentivo à construção desses projetos em empresas de base tecnológica podem formar empreendedores, startups e empresas que poderão se tornar nossas grandes empresas, partindo do educacional proposta pelo próprio governo”, destaca.

As inscrições para cursar a Escola Técnica de Brasília são realizadas pelo site. São dois períodos de seleção. Após anunciadas, as vagas são sorteadas. Os cursos são ministrados nos três turnos — manhã, tarde e noite —, o que possibilita que os alunos que estão fazendo o segundo grau possam fazer a Escola Técnica simultaneamente.

Eletricidade na roda

Uma cadeira de rodas automatizada custa no mercado, em média, cerca de R$ 12 mil. Com R$ 3.800, os alunos conseguiram desenvolver um modelo funcional e, com ela, ficaram em primeiro lugar na mostra ETB Mix.

Um dos desenvolvedores do protótipo foi o estudante de eletrônica Pedro Carneiro. De acordo com ele, a ideia principal era ajudar a comunidade, construindo a cadeira como uma forma de viabilizar a mobilidade dos deficientes físicos. “O objetivo principal é que a cadeira de rodas no mercado não é tão acessível para todo mundo. Então, a gente pensou em criar uma cadeira de rodas de baixo custo que possa ajudar a todos os deficientes físicos, principalmente cadeirantes. O nosso projeto foca na simplicidade e também na acessibilidade”, pontua Pedro.

O grupo utilizou peças de hoverboard, pneus de bicicleta para adaptação em diferentes terrenos, além de duas rodinhas atrás devido ao torque do motor. Um controle joystick também foi adaptado de uma forma simples para o controle do cadeirante, de forma que ele possa se locomover.

Os estudantes pretendem dar continuidade ao projeto e buscar patrocínios, adicionando sensores especiais para facilitar o trabalho de cuidadores, aplicando até o uso de avisos por SMS.

Em segundo lugar ficou uma lixeira inteligente, criada pelos estudantes de eletrônica Werlei Dias e Paulo Henrique Alcântara. Eles utilizaram sensores ultrassônicos, tanto para abertura da lixeira como para medir a altura do lixo, mostrando o nível de enchimento do recipiente. Quando está vazia, uma luz verde fica acesa. Ao chegar na metade, uma alaranjada se acende e, quando está cheia, é a vez da luz vermelha aparecer. Uma tela também mostra avisos sobre a coleta do lixo.

“Uma pessoa conversou conosco no dia do projeto sobre o quanto facilitaria para a mãe dela, que tem problema de mobilidade. Ela teve um AVC e só usa uma mão. Então facilitaria, porque quando ela passasse a mão na frente da lixeira, já abriria e ela conseguiria colocar o lixo, sem precisar soltar o lixo no chão”, exemplifica Werlei.

Já em terceiro lugar ficou um aparelho capaz de monitorar picos de energia, desenvolvido pelo estudante de eletrônica Wilber Oliveira Cerqueira e pela estudante de informática Mônica Caetano.

O tensor, como foi batizado, foi desenvolvido para o público em geral, funcionando como um medidor de tensão que registra hora, data e valores de picos e quedas de tensão elétrica. Caso aconteça uma queda que estrague um aparelho eletrônico, por exemplo, há uma prova de que a queda de energia foi a causa do desligamento de energia repentino.

“É um projeto muito interessante do ponto de vista de custo e utilidade, porque agora é possível receber um ressarcimento com base em provas do relatório gerado pelo ‘tensor’. É um projeto que alcança várias pessoas, não é só para pessoas com poder aquisitivo maior, por ter um baixo custo de produção”, acentua Wilber.

Por Jak Spies da Agência Brasília

Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília / Reprodução Agência Brasília