A Casa do John John: conheça o projeto que atende mães atípicas do DF

Projeto social de ONG do DF proporciona olhar cuidadoso para mães atípicas que precisam ser acolhidas em suas diversidades e singularidades

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O diagnostico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode causar angústia em alguns pais em um primeiro momento, seja pelo receio do desconhecido ou pelo preconceito ainda impregnado na sociedade. Muitas famílias deixam de ter uma vida social para se dedicar exclusivamente aos cuidados com filhos autistas.

Isso afeta, principalmente, as mulheres, que muitas vezes, deixam de trabalhar e abandonam outras práticas para ficar em casa com os filhos e oferecer suporte à rotina de terapias, entre outras demandas.

Com o objetivo de transformar a vida de muitas famílias e acreditando que a cura do autismo é a comunidade, o pastor Anderson José da Silva Teixeira, 43 anos, criou o projeto A Casa do John John.

A iniciativa da Organização Não Governamental (ONG) atua no Distrito Federal para apoiar, com diversos serviços voluntários, mães atípicas de crianças e adolescentes autistas que precisam de ajuda.

“Esse é o nosso projeto piloto, o principal deles. Tudo começou quando vimos um levantamento do Instituto Baresi, um fórum nacional para associações de pessoas com doenças raras, deficiências e outros grupos de minoria, que mostrou que, no Brasil, cerca de 78% dos pais abandonaram as mães de crianças com deficiências e doenças raras, antes dos filhos completarem 5 anos de vida”, destacou o pastor.

Enquanto oferecem um ambiente lúdico, brinquedoteca e diversos tratamentos terapêuticos, além de afeto, cuidado e proteção aos autistas, as mães podem se capacitar, cuidar e participar de terapias individuais ou em grupo, massagem, entre outras práticas, no ambiente acolhedor da instituição sem fins lucrativos que está localizada na QR 501, em Samambaia Sul. Os pais interessados também podem receber o apoio.

“A iniciativa existe para resolver qualquer problema que o autista ou sua mãe tenha. Hoje, a gente paga três alugueis a mães-solo, fazemos compras mensais para as famílias e disponibilizamos transporte para auxílio em consultas, tratamentos médicos e outras necessidades”, salientou.

A organização comunitária nasceu há quatro anos e atende gratuitamente mais de 300 famílias com esforço individual e coletivo, caridade e assistência social. Há ainda uma lista de espera com cerca de 800 nomes que desejam fazer parte da iniciativa.

Além da Casa do John John, o local desenvolve projetos de ressocialização de ex-detentos, cuidado psicológico e familiar para policiais, proteção e amparo de vítimas de abusos sexuais, e, ainda, promove aos sábados, aniversários gratuitos com tudo aquilo que as crianças têm de direito para meninos e meninas autistas. Conheça aqui.

“A importância dos aniversários é conseguir arrancar sorrisos, sentir os autistas felizes e justamente para devolver humanidade. Eles ganham uma experiência completa de uma festa de aniversário. Com o tema escolhido por cada um, bolo, docinhos, salgados. Tudo o que tem direito.”

Criador

Como na maior parte dos projetos sociais, a história pessoal do criador se mistura com a da instituição. O pastor Anderson foi diagnosticado com TEA aos 40 anos e também tem um filho autista, o João, de 14.

Anderson Silva é nordestino, natural de Maceió (AL), reside em Brasília há mais de duas décadas, atua como pastor há 15 anos, é casado com a Keila e pai de quatro meninos.

“Certas vezes me perguntam o motivo de tantos projetos. Eu sou nordestino e sofri muito na infância. Não sei se é uma reação ao que eu passei na vida”, explicou. “Talvez seja isso o que me motivou, muito do que eu sofri, eu não fico bem em ver as pessoas sofrerem. Penso que Jesus também não toleraria o sofrimento do outro”, acrescentou.

Ele acredita, ainda, que, embora os problemas sociais no país sejam muito sérios, se cada um exercer um papel solidário será relevante e poderá ajudar a diminuir o drama das pessoas. “Nós precisamos trabalhar para mudar essa realidade.”

Olhar atencioso

O projeto tem mudado e transformado vidas. O pastor classifica que é notória a mudança na autoestima e no empoderamento das mães atípicas. “É a devolução da dignidade. Nesse espaço, elas voltam a sonhar. Queremos construir um legado”, disse Anderson.

A manutenção do projeto ocorre com a venda de camisetas e livros, além de doações e ajuda financeira da sociedade. “Sem o Estado, sem político, sem barganha, somente Jesus e seu povo pagando os boletos”, completou.

Quem quiser ajudar a fazer a diferença na vida de alguém pode entrar em contato com o Hub. A doação recorrente pode ser feita através da plataforma pelo CNPJ: 38499569000116 (pix), banco: 323 , Mercado Pago: agência: 0001, conta: 88336202492.

“A mão de obra especializada é a nossa principal demanda. Voluntários são bem-vindos. Mas, por exemplo: médicos, psiquiatras, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeuta ocupacional e ajuda humana, para nós, é o mais necessário”, frisou.

Por Nathália Cardim da Metrópoles 

Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles / Reprodução Metrópoles