Dengue: brasilienses buscam meios para manter o mosquito afastado

Com mais de 140 mil casos de dengue e 109 óbitos confirmados, moradores do DF, além de eliminar criadouros, buscam meios para impedir a aproximação do Aedes aegypti. Os repelentes e as telas protetoras são opções bastante procuradas

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Eliminar os criadouros do Aedes aegypti não é a única precaução que as pessoas vêm adotando em tempos de epidemia de dengue. O repelente entrou para a lista de compras de muita gente. Outro produto que vem sendo procurado é a tela mosquiteira. Ambos são eficientes para manter o transmissor da doença afastado, de acordo com o infectologista Julival Ribeiro.

O especialista orienta que, no caso dos repelentes, somente devem ser aplicados os registrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O aval do órgão regulador é obrigatório no país. Julival explica que os produtos regularizados contêm, pelo menos, uma destas substâncias: IR3535, DEET ou icaridina. “Crianças com menos de 2 anos devem ser aconselhadas pelo pediatra. A partir dessa idade até os 12 anos, a solução deve ter concentrações de até 10% e ser usada, no máximo, três vezes ao dia”, destaca. O infectologista ressalta, ainda, que fórmulas caseiras não são recomendadas.

Colocar telas mosquiteiras em janelas e portas funciona também. “Elas impedem a entrada indesejada de moscas e de mosquitos vetores de doenças como dengue, zika e chikungunya. É muito importante telar algumas passagens, caso possível”, orienta.

Julival recomenda ainda usar roupas compridas no período da manhã e à noite, pois são os momentos em que a maioria das picadas acontece. “O mais importante é evitar os criadores dentro das residências e perto delas. Sem contar com a vacinação, que infelizmente ainda não chegou para todos”, reforça.

Proteção

A professora Priscila Gomes, 37, mudou-se para Vicente Pires no fim do ano passado e decidiu colocar vetores nas aberturas da casa, pois o local onde mora é próximo a matas e córregos. “Isso ajudava na proliferação do mosquito e vimos a necessidade, no começo deste ano, de colocarmos telas nas janelas e portas. Gastamos, em média, de R$ 300 a R$ 400 com esse serviço”, recorda.

Além disto, Priscila comenta que toma todos os cuidados possíveis, como usar repelente todos os dias. “Os vasos aqui de casa estão todos com areias e ficamos atentos aos ralos. É necessário, neste momento, que cada um faça a sua parte”, conclui.

A Só Telas, localizada em Taguatinga, é um exemplo do crescimento nas vendas dessa proteção contra o Aedes. A empresa registrou aumento de 20% na comercialização/instalação de telas mosquiteiras. A administradora financeira do estabelecimento, Maria Eduarda da Silva, garante que, mesmo diante do crescimento, os preços não subiram. “Desde a pandemia da covid-19 o valor tem se mantido estável”, diz.

Para dar conta dessa alta demanda, Maria Eduarda cita que foi necessária a contratação de mais funcionários para a instalação das telas. Por dia, eles vão a, pelo menos, 20 casas fazer esse serviço. “As agendas estão lotadas. Alguns trabalhos só serão feitos após 25 de março. E, para fazer orçamento, só consigo na próxima semana. Quase não estamos conseguindo atender todo mundo. Temos 10 instaladores para dar conta do serviço”, finaliza.

De acordo com Antônio Carlos da Silva, 74, proprietário da Só Telas, a empresa trabalha com dois tipos do produto. A primeira é a de fibra de vidro com moldura de alumínio, que custa, em média, R$ 210 o metro quadrado e é a mais utilizada pelos clientes. A segunda é de aço galvanizado, que sai em torno de R$ 250 o metro quadrado.

Vacinação

A Secretaria de Saúde (SES-DF) recebeu do governo federal 71.702 doses da vacina contra a dengue. “Até 9 de março, foram aplicadas 37.164 doses no Distrito Federal, sendo 35.889 em unidades da SES-DF e 1.275 em estabelecimentos privados. A campanha na rede pública segue exclusiva para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.” De acordo com a pasta, este lote de vacinas vence em 30 de abril.

*Estagiários sob a supervisão de Malcia Afonso

Por Luis Fellype Rodrigues, Alessandro de Oliveira do Correio Braziliense

Foto: Alessandro de Oliveira / Reprodução Correio Braziliense