Irã mira dissidentes curdos e mata 9 no 12º dia de protestos

Mísseis e drones disparados pela Guarda Revolucionária do Irã mataram nove pessoas e feriram outras 24 ao atingirem sedes de organizações

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Mísseis e drones disparados pela Guarda Revolucionária do Irã mataram nove pessoas e feriram outras 24 ao atingirem sedes de organizações dissidentes curdas no norte do Iraque na manhã desta quarta (28), afirma a agência de notícias estatal Irna. Segundo um membro sênior do Komal, partido de oposição curdo iraniano no exílio, escritórios da legenda também foram atingidos.

O ministro de Relações Exteriores do Iraque condenou a ofensiva, que teve como alvo áreas próximas às cidades de Erbil, capital da região autônoma do Curdistão no Iraque, e Sulaimaniya.

Os ataques ocorrem depois de o regime iraniano acusar os separatistas curdos armados de fomentarem a onda de protestos que tomou o país nas últimas semanas. Membros da Guarda Revolucionária, a elite militar do país, afirmaram em pronunciamento televisivo que o episódio marca o início de uma repressão ainda maior aos dissidentes -considerados terroristas.

“Esta operação continuará até que a sua ameaça seja extinta, que as bases dos grupos terroristas sejam desmanteladas, e que as autoridades da região do Curdistão assumam suas obrigações e responsabilidades.”

Os protestos, que acontecem todas as noites, começaram há 12 dias, quando Mahsa Amini, de 22 anos, morreu após ser detida em Teerã por supostamente violar o rígido código de vestimenta imposto pelas autoridades. O fato de Amini ser curda acrescentou às manifestações a dimensão da violência étnica no Irã –há um número desproporcional de curdos executados pelo regime todos os anos.

Esta semana, a polícia iraniana voltou a advertir que se “oporá com todas as suas forças” àqueles que insistirem em ir às ruas. Balanço divulgado pela agência de notícias estatal Fars na véspera afirma que quase 60 pessoas morreram nos atos desde o início do movimento, e 1.200 foram detidas.

Esta é a maior onda de insatisfação registrada no país do Oriente Médio desde 2019, quando uma alta no preço de combustíveis levou uma multidão às ruas. Também na época, a repressão foi brutal, com as forças de segurança usando armas de fogo, canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes e atiradores de elite disparando do telhado de edifícios.

Nesta quarta, um primo de Amini que vive no Curdistão iraquiano e é contra o regime iraniano relatou à AFP que Amini morreu após receber um “violento golpe na cabeça” da polícia. Creditando as informações à mãe da jovem, Erfan Salih Mortezaee, de 34 anos, afirmou que Amini teve mãos e pernas espancadas com uma bengala, até que os policiais a atingiram na cabeça e ela perdeu a consciência.

No mesmo dia, o advogado da família, Saleh Nikbakht, disse à agência Isna que os pais da jovem chegaram a discutir com os policiais quando ela foi detida.

Por Redação do Jornal de Brasília com informações de PH Paiva

Foto: Notícias ao minuto