Mercado de barbearias atrai mais jovens profissionais na capital federal

O Distrito Federal possui cerca de 5 mil profissionais especializados em corte de cabelo masculino, segundo a Fecomércio. O ramo ganhou impulso ao agregar valor aos espaços com convivência e lazer, além do trato no visual

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O mercado de barbearias e salões de beleza para o público masculino tem crescido no Distrito Federal junto à demanda dos homens por serviços de estética e autocuidado. De acordo com os dados compilados pelo Mapa do Comércio, ferramenta da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-DF), na capital federal, há uma média de 2 mil barbearias, com cerca de 5 mil pessoas atuando na área. Profissionais com mais tempo de experiência lembram que os clientes têm esses estabelecimentos como ponto de encontro para a promoção da autoestima e notam que o mercado tem atraído jovens profissionais.

O público masculino está mais preocupado com a imagem pessoal e profissional. Os homens têm se cuidado mais e isso tem feito com que os empreendimentos do ramo sejam mais visitados por eles. Com isso, os empresários oferecem um cardápio variado para atrair a clientela. De acordo com o gerente da Tex Barbearia, localizada no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), Henrique Viana, 27 anos, o público busca muito mais do que um corte de cabelo ou uma barba bem desenhada. Há uma série de coisas que atraem os clientes e o local deve contar com várias opções de distrações, como som ambiente, mesa de sinuca, bar e estúdio de tattoo.

“Já aconteceu de um cliente vir fazer uma tatuagem e acabou cortando o cabelo e vice-versa”, comenta Henrique. “Temos clientes que toda semana vêm aqui dar um trato na beleza e tomar uma cervejinha”, acrescenta. A barbearia no SIG atende, no mínimo, 35 clientes por dia e, aos finais de semana, o número pode chegar a 50.

Segundo o levantamento, existem no DF cerca de 16 mil firmas registradas na categoria, que engloba barbearias, salões de beleza, manicure e pedicure. Desse total, cerca de 14,4 mil são de Microempreendedores Individuais (MEI). Os dados mostram que muitos são salões de beleza que funcionam em conjunto com barbearias. Do ano passado para cá, foram abertos 7.147 CNPJs do ramo de beleza.

O gerente de barbearia, Henrique Viana, conta que os jovens estão antenados nesse mercado de trabalho. “Estamos recebendo diversos currículos de profissionais novos, na faixa de 20 anos. Outro dia mesmo, vieram dois com uns 23 anos”, conta. Essa é uma tendência já confirmada pelo mercado. Barbeiro de celebridades da música sertaneja, o brasiliense Thiago dos Santos, o TH, 31, começou a cortar cabelo e fazer barba nos fundos da sua residência, em Sobradinho 2. Hoje ele atende em uma barbearia badalada de Goiânia, que tem como sócio o cantor Rodolffo, que faz dupla com Israel. Ele conta que o ramo é um espaço em ascensão, mas exige muito profissionalismo “É preciso estar antenado nos tipos de cortes que os homens buscam: cortes sociais e modernos, desenho, coloração, design de barba”, detalha Thiago.

Clientela feliz 

Bhrener Matos, 38, consultor de relações governamentais, se mostra muito preocupado e atencioso com sua beleza. Toda semana ele está na barbearia. “Eu costumo gastar, por corte e barba, R$ 100 por semana. Se incluir os produtos que utilizo no cabelo, por mês, os custos giram em torno de R$ 600”, destaca.

O consultor conta que costuma dedicar 1h30 em suas idas ao barbeiro. E o que mais o atrai nesses locais são os ambientes confortáveis, limpos, com ótimos profissionais, máximo de serviços possíveis, uma boa localização, café, estacionamento e, o que não pode faltar, uma cervejinha. “Após sair de lá, eu me sinto extremamente confiante, seguro e feliz”, conclui Bhrener.

Essa forma de negócio tem sido fortalecida à medida em que o público masculino está mais focado em elevar a autoestima. É o caso do estudante universitário Kauã Magalhães, 19, que retorna à barbearia Régua Máxima de três a quatro vezes por mês para retocar o visual. No estabelecimento, localizado em Valparaíso de Goiás, o rapaz adquiriu um plano mensal que favorece muito suas finanças. “O certo do corte degradê seria R$ 35, mais R$ 5 da sobrancelha. Pelo plano eu pago R$ 80 mensais, bem mais em conta”, comemora.

Kauã destaca o bem que o corte de cabelo faz. “Eu me sinto mais cuidado e, deixando o cabelo curto, eu consigo economizar no shampoo”, comenta. Ele ainda relata que tem costume apenas de cortar o cabelo, mas seus amigos gostam de tingir o cabelo em épocas de fim de ano e também investir em diversos produtos capilares, serviços que também podem ser encontrados em barbearias e salões de beleza. “Hoje em dia uma barbearia tem vantagens sobre as outras se ela tiver algum passatempo. E também aquelas que são mais organizadas e sem filas enormes”, completa.

E não há idade para o homem começar a se cuidar. Marcia França, 51, é mãe de João Guilherme Macedo, 12, e prefere levá-lo em barbearias. Ela conta que o filho sai bonito e relaxado. “É muito bom encontrar lugares e pessoas que tratem seus filhos com carinho e excelência”, completa.

Por José Carlos Silva e Luis Fellype Rodrigues do Correio Braziliense

Foto: Kayo Magalhães/CB/D.A Press / Reprodução Correio Braziliense