Servidor do MP que vazava informações para criminosos é procurado pela polícia

De acordo com a polícia, Suedney dos Santos recebeu R$ 140 mil de depósitos para repassar informações a uma organização criminosa sobre processos

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O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) decretou, no domingo (24/12), a prisão do servidor do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) Suedney dos Santos, de 45 anos, suspeito de consultar processos e repassar informações sigilosas para integrantes de um esquema de lavagem de dinheiro.

Suedney está foragido e o caso faz parte dos desdobramentos da investigação deflagrada na última semana. De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o analista foi cooptado pelo esquema, encabeçado e liderado pelo empresário Ronaldo de Oliveira, 48, para monitorar processos sigilosos na Justiça.

As investigações ainda apontam que o investigado, entre 2017 e 2019, recebeu R$ 140 mil de depósitos bancários para fazer o serviço — alguns dos pagamentos eram depositados, também, pela esposa do empresário, Soraya Gomes da Cunha, 39. Tudo ocorreu em março de 2018, quando a PCDF e o MPDFT deflagraram a Operação Trickster, que apurou condutas de corrupção e desvio milionário de recursos do extinto Transporte Urbano do Distrito Federal (DFtrans) por meio de fraudes no sistema de bilhetagem. O alvo da investigação era Ronaldo de Oliveira.

O analista chegou a ter a prisão temporária solicitada na operação deflagrada em 20 de dezembro, mas o MP pediu o indeferimento do pedido. Agora, com a nova decisão da Justiça, Suedney é foragido da polícia.

A investigação

Policiais da 8ª Delegacia de Brazlândia deflagraram, na manhã de quarta-feira (20/12), a operação Old West e prenderam, temporariamente, nove pessoas envolvidas em crimes de lavagem de dinheiro praticados entre 2018 e 2023 na cidade de Brazlândia.

Tudo começou em março de 2018, quando a PCDF e MPDFT deflagraram a Operação Trickster, que apurou condutas de corrupção e desvio milionário de recursos do extinto DFTrans por meio de fraudes no sistema de bilhetagem.

Segundo a polícia apurou, após a deflagração da Operação Trickster, as pessoas presas na manhã desta quarta-feira (20/12) constituíram uma organização criminosa na cidade de Brazlândia para branquear os valores desviados do DFtrans e evitar bloqueios judiciais. O esquema era conduzido por um casal de empresários da cidade que contava com a atuação de dois filhos e outros dois parentes. Também havia a participação de “laranjas” e “testas de ferro”, bem como de um analista do MPDFT, que recebia propina do grupo criminoso.

As empresas do casal favorecidas pelas condutas de corrupção foram colocadas em nome de “laranjas” e “testas de ferro”, que são parentes e funcionários dos investigados, e continuaram a prestar serviços e a receber valores do GDF e de prefeituras. Em seguida, para ocultar e dissimular os valores oriundos dos estelionatos contra a Administração Pública e dos contratos maculados pelas condutas de corrupção, bem como impedir bloqueios judiciais, o casal constituiu organização criminosa composta por familiares, “testas de ferro” e um analista do MPDFT.

O grupo realizava a imediata transferência dos valores recebidos nas contas empresariais para as contas poupanças de filhos, parentes e amigos do casal investigado. Em seguida, promovia retiradas diárias de valores dessas contas poupanças para repasse às contas das empresas, tudo visando dissimular os valores sujos e evitar bloqueios judiciais. Entre as contas poupanças utilizadas pelo casal estão as de filhos que, à época da investigação, contavam com quatro e 15 quinze anos de idade.

Segundo a polícia, a organização criminosa era permanente, estável, hierarquizada e possuía divisão de tarefas. Era baseada em Brazlândia e, além dos nove integrantes, contava com atuação de pelo menos 15 laranjas. As operações de ocultação e dissimulação do grupo criminosos foram praticadas em uma única agência bancária de Brazlândia e promoveram o branqueamento de R$ 31.120.783.

Caso alguém tenha informações sobre Suedney, a PCDF pede a contribuição por meio do disque-denúncia (197) da corporação.

Por Darcianne Diogo, Pablo Giovanni do Correio Braziliense 

Foto: Reprodução / Reprodução Correio Braziliense